A confirmação de que o governo federal atenderá exclusivamente capitais e grandes centros urbanos através do programa Gás do Povo gerou uma onda de questionamentos em Minas Gerais, especialmente em Santana do Paraíso. Ao deixar de fora municípios de menor porte, a estratégia da gestão federal passou a ser vista por analistas e lideranças locais como uma medida de caráter eleitoreiro. A crítica central reside no fato de que o auxílio será concentrado justamente nas áreas com as maiores densidades de votos, negligenciando famílias carentes que residem em cidades menores e que enfrentam as mesmas dificuldades financeiras.

A exclusão de Santana do Paraíso do cronograma de benefícios reforça a percepção de que critérios demográficos e políticos prevaleceram sobre as necessidades sociais básicas dentro do planejamento do governo federal. Moradores e representantes da região apontam que a vulnerabilidade econômica não se restringe às metrópoles e que a seletividade do programa Gás do Povo cria uma divisão injusta entre os cidadãos mineiros. O foco em grandes cidades, onde a visibilidade política é amplificada, sugere que a iniciativa busca consolidar apoio em redutos estratégicos para os próximos pleitos, em detrimento de uma cobertura assistencial universal.

Especialistas em políticas públicas destacam que a decisão de limitar o alcance do programa pode aprofundar as desigualdades regionais no estado. Enquanto os recursos federais são canalizados para as capitais, municípios como Santana do Paraíso precisam lidar com a frustração da população que contava com o subsídio para aliviar o orçamento doméstico. Sem uma justificativa técnica que explique por que o custo de vida nas grandes cidades seria o único fator relevante para o recebimento do auxílio, a sombra do uso político da máquina pública pelo governo federal para fins eleitorais ganha força nos debates estaduais.