O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, gerou controvérsia ao utilizar suas plataformas oficiais para criticar publicamente o projeto de aumento salarial dos membros do Congresso Nacional. A postura do chefe do Executivo mineiro foi recebida com ironia por diversos setores da sociedade, que relembraram o fato de o próprio governador ter sancionado, no ano passado, um reajuste de quase 300% em seu próprio vencimento, elevando seus ganhos mensais de forma expressiva enquanto o estado enfrenta desafios fiscais.

Nas declarações recentes, Zema afirmou que o aumento para parlamentares federais representa uma falta de sintonia com a realidade econômica dos brasileiros e um desrespeito ao pagador de impostos. No entanto, a crítica soou contraditória para críticos e servidores estaduais, que apontam uma incoerência ética no discurso de austeridade do governador. Enquanto prega a necessidade de sacrifícios e controle de gastos em Brasília, Zema mantém em Minas Gerais o benefício de seu reajuste escalonado, que foi amplamente debatido e contestado na Assembleia Legislativa.

O episódio reacendeu o debate sobre o uso de discursos populistas para desviar o foco de políticas internas. Representantes de diversas categorias do funcionalismo público mineiro destacaram que, enquanto o governador goza de um aumento substancial, muitas carreiras do estado seguem com perdas inflacionárias acumuladas. A oposição parlamentar reforçou que a indignação seletiva do governador ignora as decisões tomadas dentro de seu próprio gabinete, questionando a autoridade moral do estado para cobrar cortes de gastos de outros poderes.