O adestrador de animais José Éder Lisboa, de 64 anos, morreu nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, em território argentino, onde permanecia na condição de foragido da Justiça brasileira. A confirmação do óbito foi feita pela Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro, que relatou que o idoso estava internado há alguns dias após apresentar complicações de saúde. Natural de São Carlos, no interior de São Paulo, Lisboa havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal em junho de 2024 a uma pena de 14 anos e seis meses de reclusão em regime fechado.

A condenação de Lisboa fundamentou-se em crimes graves, incluindo abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e associação criminosa armada. Ele foi detido em flagrante durante as invasões ao Palácio do Planalto em 2023, chegando a cumprir prisão preventiva antes de ser beneficiado com medidas cautelares em agosto do mesmo ano. Após a sentença definitiva proferida pela Corte brasileira, o adestrador rompeu o monitoramento eletrônico e fugiu para o país vizinho, integrando a lista de mais de uma centena de condenados que buscaram refúgio no exterior para evitar o cumprimento das penas.

O falecimento ocorre em um momento de complexidade diplomática entre Brasil e Argentina, visto que diversos condenados pelos ataques aos Três Poderes solicitaram asilo político ao governo argentino. Recentemente, órgãos locais concederam refúgio a outros investigados, dificultando os processos de extradição solicitados pelo Judiciário brasileiro. Com a morte de José Éder Lisboa, o processo de execução penal em seu nome deve ser extinto, enquanto as autoridades brasileiras seguem monitorando o paradeiro de outros 122 foragidos que estariam espalhados por países da América Latina e Europa.

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