A advogada Ana Paula Rocha, de 45 anos, foi brutalmente assassinada a tiros pelo ex-companheiro na noite da última terça-feira, dia 16, no Centro de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. O crime, que gerou intensa comoção social, foi seguido pelo suicídio do agressor, Lucas Gomes, de 59 anos, que havia se separado da vítima recentemente e tirou a própria vida no mesmo local do incidente.

Ana Paula Rocha, advogada criminalista e mãe de três filhos, foi morta em um estacionamento localizado no cruzamento das ruas Belo Horizonte e Caio Martins. Antes de cometer o assassinato, Lucas Gomes gravou um vídeo no qual detalhava sua motivação, alegando ter descoberto uma suposta traição da ex-esposa com um traficante detido na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem.

Nas declarações registradas, Lucas Gomes afirmou ter monitorado a advogada, utilizando um rastreador com escuta no carro. Ele mencionou que Ana Paula estaria marcando visitas íntimas com o detento para os dias 15 e 20 daquele mês, exibindo roupas íntimas que, segundo ele, seriam para esses encontros. Em sua fala, Lucas declarou: "Eu entrei como um homem nessa família e queria sair como um homem da família. Peguei no flagra... Eu sabia que a Paula estava me traindo. Estou saindo como um homem da família, viu?".

É importante ressaltar que as afirmações feitas por Lucas Gomes no vídeo representam unicamente a versão apresentada por ele antes da tragédia. Não existe qualquer confirmação oficial das alegações relacionadas ao suposto relacionamento extraconjugal mencionadas nas gravações deixadas pelo ex-companheiro.

O Grupo Mulheres do Brasil – Núcleo Governador Valadares manifestou profundo pesar pelo feminicídio de Ana Paula Rocha, divulgando uma nota em que lamenta o ocorrido e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas da advogada. A entidade repudiou veementemente o feminicídio, classificando-o como a expressão extrema de uma violência que frequentemente apresenta sinais e pedidos de socorro, os quais não devem ser ignorados pela sociedade.

A nota do grupo sublinha que cada mulher vítima de feminicídio representa uma perda irreparável para toda a comunidade. Defendeu, ainda, o fortalecimento contínuo das ações de combate à violência de gênero, finalizando com um apelo: "Que a memória de Ana Paula Rocha fortaleça nossa determinação de seguir lutando por uma sociedade onde nenhuma mulher tenha sua vida interrompida pela violência".