André Mendonça autoriza transferência de Daniel Vorcaro para Batalhão da PM no DF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (25) que o banqueiro Daniel Vorcaro seja transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, popularmente conhecido como Papudinha. Vorcaro estava detido nas dependências da Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde o dia 4 de março deste ano. A medida, conforme justificou Mendonça, visa removê-lo das instalações da Polícia Federal (PF) e, ao mesmo tempo, garantir sua segurança.
A Papudinha é reconhecida por possuir um regime prisional mais flexível. Suas instalações contam com quartos sem grades, além de cozinha e banheiros comunitários, e uma área externa para banho de sol. O local é designado para custódia de presos especiais, como policiais militares, advogados e juízes. Em outras ocasiões, a unidade também abrigou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros indivíduos condenados em decorrência dos atos de 8 de janeiro de 2023.
Na mesma decisão, o ministro André Mendonça negou o pedido da defesa de Vorcaro para substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar. Mendonça seguiu os pareceres da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF), justificando a recusa pela ausência de novos elementos que pudessem modificar a fundamentação já apresentada em decisão anterior. As investigações que envolvem Vorcaro revelam movimentações financeiras com "estratégias de ocultação, blindagem ou deslocamento patrimonial". A Polícia Federal também aponta que o banqueiro teria custeado hospedagem para Motta e Ciro Nogueira em Lisboa. Vale ressaltar que a Segunda Turma do STF já havia mantido as prisões do pai e de um primo de Vorcaro.
Daniel Vorcaro foi alvo e novamente detido no contexto da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Essa operação investiga alegadas fraudes financeiras no Banco Master e uma tentativa de aquisição da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), uma entidade bancária pública ligada ao Governo do Distrito Federal (GDF). Para fazer frente a possíveis perdas com o Banco Master, o BRB necessitaria de R$ 8,8 bilhões. Durante as apurações, o banqueiro tentou por duas vezes firmar um acordo de delação premiada, mas a segunda proposta foi rejeitada pela PGR no último dia 15, após a PF também ter recusado o acordo na semana anterior.
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