A garantia da plena acessibilidade em instituições de ensino superior públicas representa um pilar fundamental para o direito à educação e a efetiva inclusão social. Em Juiz de Fora, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) teve suas barreiras de acessibilidade arquitetônica e atitudinal evidenciadas em uma análise jornalística de abril de 2012. A reportagem, assinada por Nara Salles à época, destacou os desafios complexos em um campus com edificações erguidas em períodos anteriores à centralidade das normas universais de acessibilidade.

A infraestrutura física da universidade apresentava, àquele período, desafios significativos. Edificações cruciais para a vida acadêmica e administrativa careciam de adaptações básicas, limitando o acesso de pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência física. Entre as unidades mencionadas que possuíam acessibilidade restrita estavam o Centro de Pesquisas Sociais (CPS), a Faculdade de Administração, a Faculdade de Serviço Social e a Pró-Reitoria de Infraestrutura (Proinfra). A ausência de rampas adequadas, elevadores funcionais ou plataformas elevatórias comprometia a autonomia de alunos, professores e técnicos.

Além das barreiras internas aos edifícios, a circulação externa no campus também configurava um problema crítico. A transição entre os pontos de ônibus e as entradas dos prédios era prejudicada pela inexistência de rampas contínuas e seguras nas calçadas, forçando estudantes cadeirantes a se deslocarem pelas vias de tráfego e estacionamento de veículos. Tal situação gerava um risco constante de acidentes. Na época, a gestão de infraestrutura universitária indicou que a falta de intervenções em alguns acessos se devia à ausência de solicitações formais por parte dos discentes, um indicativo de um modelo reativo que dependia da demanda individual em vez de um planejamento preventivo e universal de acessibilidade.

Apesar dos entraves, a instituição demonstrou esforços em curso para mitigar e corrigir as deficiências estruturais. A Coordenação de Acessibilidade Educacional, Física e Informacional (CAEFI), estabelecida em 2009, atuava na assessoria a cursos de graduação e pós-graduação, além de propor reformas adaptativas. Projetos de novas moradias estudantis em construção incorporavam o compromisso de oferecer dormitórios completamente adaptados. Havia também a consciência institucional de que a acessibilidade deveria beneficiar não apenas a comunidade acadêmica interna (alunos e servidores), mas também o público externo que participa dos variados eventos culturais, científicos e comunitários da UFJF.

A análise histórica desses fatos sublinha a importância de um ambiente universitário verdadeiramente inclusivo. Isso exige não apenas a implementação de diretrizes normativas, mas um investimento contínuo em infraestrutura, a superação de barreiras atitudinais e um planejamento urbano interno que antecipe e responda às necessidades de todos os seus membros e visitantes.

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