Empresários do influente setor de ferro-gusa de Sete Lagoas, em Minas Gerais, estiveram presentes em uma série de audiências nos Estados Unidos. O objetivo da comitiva mineira foi claro: articular esforços para evitar a imposição de uma nova tarifa de importação sobre o produto brasileiro, uma medida que poderia impactar significativamente a economia local e nacional.

A proposta, oriunda do governo do então presidente Donald Trump, sugere uma elevação considerável na tributação do ferro-gusa originário do Brasil, podendo atingir até 37,5%, conforme projeções divulgadas pelo Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer). A preocupação do setor é que essa nova taxação venha a comprometer as exportações brasileiras, pondo em risco postos de trabalho, desestimulando investimentos e gerando repercussões negativas até mesmo para a indústria siderúrgica americana, que possui uma dependência considerável do material importado.

Durante as discussões, Frederico Henriques Lima e Silva, presidente da SDS Siderúrgica, empresa com unidades em Sete Lagoas e Divinópolis, representou o Sindifer e salientou a importância estratégica do Brasil nesse mercado. Segundo ele, aproximadamente 70% do ferro-gusa importado pelos Estados Unidos é produzido no Brasil, enquanto a produção interna americana supre menos de 6% da demanda total do país. Em 2025, o Brasil alcançou a marca de 4,06 milhões de toneladas de ferro-gusa exportadas, gerando uma receita de US$ 1,67 bilhão, com Minas Gerais respondendo por mais de 70% desse expressivo volume. A SDS Siderúrgica, por sua vez, destina cerca de 40% da produção de sua unidade em Sete Lagoas ao mercado americano, percentual que varia entre 60% e 70% para a unidade de Divinópolis.

Curiosamente, representantes de diversas siderúrgicas e empresas americanas manifestaram apoio ao pleito brasileiro durante as audiências. O argumento central desses players norte-americanos é que a implementação da nova tarifa poderia elevar os custos de produção e, consequentemente, prejudicar toda a cadeia de suprimentos nos Estados Unidos. A comunidade empresarial e o mercado aguardam a decisão final do governo americano sobre essa política tarifária nos próximos dias, um veredito que pode redefinir o cenário das exportações brasileiras de ferro-gusa.

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