Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com o apoio essencial da Polícia Militar, realizaram uma operação de resgate em Mirabela, Minas Gerais, que culminou na libertação de uma família – um homem, sua esposa e a filha de cinco anos – que vivia em condições análogas à escravidão. A ação expôs a dura realidade enfrentada por essas pessoas em situação de vulnerabilidade no interior mineiro.

De acordo com as apurações, a família havia sido atraída para a comunidade de Muquém sob a promessa de moradia digna e um salário mínimo, expectativas que nunca se concretizaram. Em vez disso, encontraram um cenário de degradação. O trabalhador, pai da família, dedicava-se diariamente ao manejo do gado, ao preparo da silagem e à ordenha, cumprindo longas jornadas sem as mínimas garantias trabalhistas.

As condições de trabalho eram alarmantes: o homem nunca havia sido submetido a exames médicos, não recebia equipamentos de proteção individual (EPIs) nem treinamento adequado para suas funções. Além da informalidade total – sem registro em carteira, recolhimento de Fundo de Garantia (FGTS) ou contribuição previdenciária –, a moradia oferecida à família era insalubre. Eles consumiam água proveniente de uma caixa d'água infestada por insetos, lodo e outros resíduos orgânicos. A criança dormia em um colchão no chão, exposta a riscos iminentes de ataques de animais peçonhentos como escorpiões e cobras. A estrutura da casa, com paredes trincadas e janelas sem vedação, era precária e ainda servia como depósito para insumos agrícolas, como sementes, ração e vacinas.

Após o resgate, a família foi prontamente retirada do local e encaminhada para uma moradia adequada em sua região de origem, garantindo-lhes segurança e dignidade. Os órgãos de assistência social foram imediatamente acionados para prestar o suporte necessário. O empregador, cuja identidade não foi revelada, foi notificado a efetuar o pagamento de todas as verbas rescisórias e trabalhistas devidas no prazo máximo de dez dias, sob as penalidades da lei.

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