Uma ocorrência de homicídio chocou a comunidade do bairro Córrego Novo, em Ipatinga, no início da madrugada deste domingo (23). Uma mulher de 49 anos é a principal suspeita de ter matado o próprio marido, de 46, a pauladas dentro da residência do casal, situada na Rua Salto Osório. O crime veio à tona depois que familiares acionaram a Polícia Militar, relatando que o homem havia sido agredido e apresentava um sangramento na cabeça.

Ao chegarem ao local, os militares encontraram a família em estado de choque e desespero. A vítima estava caída em um colchão no quarto, já sem sinais vitais e com um ferimento visível no lado direito do rosto. Vestígios de sangue foram encontrados tanto na cama quanto no chão. A perícia técnica, ao examinar o corpo, confirmou a presença de sinais de pancadas, cortes profundos e quatro perfurações. No ambiente, foi apreendida uma tábua de madeira que, conforme os levantamentos periciais, pode ter sido a arma utilizada no crime. Este objeto possuía dois elementos pontiagudos de aço acoplados à sua estrutura. A ausência de rigidez corporal sugeria que a morte havia ocorrido pouco tempo antes. Após os procedimentos, o corpo foi liberado para uma funerária.

Durante as diligências, a mulher, esposa da vítima, apresentou sua versão dos fatos. Ela relatou ter passado a tarde bebendo cerveja com o marido e que ambos retornaram para casa por volta das 18h. Segundo seu depoimento, o homem teria ido para o quarto continuar a beber e assistir televisão, enquanto ela permaneceu no quintal, também consumindo cerveja. Em dado momento, a mulher alegou ter saído para comprar mais cerveja e cigarros em um estabelecimento na antiga Rua 5. Ao retornar, afirmou ter encontrado a residência escura, apesar de ter deixado as luzes acesas, e a porta aberta e destrancada. Ela teria se dirigido ao quarto sem acender a luz e, notando o marido com respiração pesada, considerou normal, atribuindo a roncos. Somente após ir ao banheiro, teria percebido que ele estava ferido e sem vida. Em seguida, buscou ajuda, pedindo à filha que contatasse a Polícia Militar.

Contudo, a versão da suspeita começou a apresentar inconsistências. Em verificação a um bar mencionado pela mulher, uma testemunha negou que ela tivesse retornado ao local para fazer novas compras de bebida ou cigarro. Mesmo diante dessa informação, a mulher manteve seu relato. Aos policiais, ela também mencionou um histórico de violência doméstica, afirmando já ter acionado a PM por agressões do marido, inclusive relatando ter sido mordida por ele cerca de duas semanas antes. Na residência, não foram encontrados sinais de arrombamento, e não havia testemunhas que tivessem presenciado o ato criminoso. A tábua de madeira apreendida foi reconhecida pela mulher como um utensílio doméstico, usado como tábua de carne.

O filho da suspeita estava dormindo na residência no momento dos fatos. Ele acordou com a chegada da mãe e das irmãs, que teriam gritado ao encontrarem a vítima. O rapaz, que é esquizofrênico e possui dificuldades de comunicação, informou aos militares, com auxílio de um intérprete, que não ouviu nem viu o que aconteceu. Ele também afirmou manter uma boa relação com o padrasto. Diante das contradições e inconsistências em seu depoimento, a mulher foi conduzida ao plantão da Polícia Civil para as providências legais cabíveis.

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