A família de Ângela Cristina Terra Pinto, uma cuidadora de idosos de 60 anos, falecida devido a complicações da hepatite A, acredita que a contaminação viral ocorreu enquanto ela prestava auxílio a amigos após a trágica enchente que atingiu Juiz de Fora em 23 de fevereiro. De acordo com Thaís Terra Pinto, filha da vítima, a exposição ao vírus pode ter acontecido em 24 de fevereiro, menos de um dia após o temporal devastador. Ângela é identificada como a primeira vítima por hepatite A em Juiz de Fora.

Thaís relatou que sua mãe enviou um áudio informando que iria à casa de amigos que tiveram suas residências inundadas pela enchente. "Foi a única coisa diferente que ela fez", afirmou a filha. Ela destacou ainda que seu filho e a idosa que Ângela cuidava consumiram a mesma água e comida que a cuidadora, mas não apresentaram sintomas da doença. Embora a rua de Ângela no bairro Santa Luzia não tenha sido alagada, Thaís sugere que o deslocamento para ajudar os amigos ou até mesmo o percurso para o trabalho poderiam ser os pontos de exposição. A cuidadora deixou duas filhas e um neto de 8 anos.

O avanço da doença foi descrito pela filha como "fulminante". Ângela começou a sentir-se mal em 24 de abril, inicialmente confundindo os sintomas com uma forte gripe. Contudo, a rápida piora do quadro, que incluiu vômitos, levou-a a dar entrada na UPA Santa Luzia em 27 de abril, já em estado crítico. "Quando fui buscar ela em casa ela já estava bem debilitada. Lá na UPA foi atendida rápido e quando saíram os exames o médico alertou que o caso era grave e que os rins e o estado neurológico dela já estavam comprometidos", contou Thaís. Em 28 de abril, devido à gravidade, ela foi transferida para o Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus, vindo a falecer na madrugada de 30 de abril. A família foi informada por profissionais de saúde que o vírus pode permanecer incubado por um período de dois meses, o que reforçou a suspeita de ligação com o contato na enchente.

O Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus confirmou a presença do vírus da hepatite A em Ângela Cristina após resultados positivos de análises laboratoriais recebidos pelo Setor de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH). Contudo, a Prefeitura de Juiz de Fora informou, por meio de nota, que o óbito segue em investigação. A administração municipal esclarece que a análise laboratorial é apenas uma etapa do processo, que também considera o quadro clínico, antecedentes epidemiológicos, fatores de risco e outras informações necessárias para determinar a causalidade. A Prefeitura reitera que Juiz de Fora não está em cenário de surto, embora até o fim de abril de 2026 a cidade tenha confirmado 808 casos da doença, representando mais de 70% dos registros em Minas Gerais neste mesmo ano. Este número supera o total acumulado de casos na cidade nos últimos dez anos, entre 2016 e 2025, com maior concentração na área central e zona sul. A Prefeitura destaca ainda uma queda média de 32% nas cinco últimas semanas epidemiológicas, indicando uma tendência de redução.