Um extenso levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), por meio do painel Shows Artísticos Municipais, revelou que 831 prefeituras mineiras destinaram, coletivamente, a cifra impressionante de R$ 1,5 bilhão para a contratação de artistas entre os anos de 2020 e 2025. Do total de 853 cidades no estado, apenas 22 não registraram qualquer gasto com eventos culturais neste período, conforme divulgado em 09/06/2026.

A evolução dos investimentos demonstra uma curva acentuadamente ascendente. Em 2020, o montante desembolsado foi de R$ 13,6 milhões, seguido por um recuo para R$ 6,6 milhões em 2021, o auge da pandemia. Contudo, os valores dispararam consecutivamente nos anos seguintes, atingindo o patamar notável de R$ 568,04 milhões em 2025. Esse salto representa uma explosão de aproximadamente 4.076% em relação ao início da série histórica.

Embora grandes parcelas do orçamento tenham sido lideradas por centros urbanos como Nova Lima, na Grande BH, com R$ 16,02 milhões, e Itabirito, na Região Central, com R$ 15,6 milhões, a região do Campo das Vertentes evidenciou forte protagonismo no ranking de gastos. Barbacena ocupa a terceira posição estadual, com R$ 14,8 milhões investidos. Além dela, Nazareno, cidade próxima a Lavras, figura oficialmente entre as dez prefeituras que mais gastaram com shows em todo o estado, integrando um grupo que inclui municípios como Brumadinho, Extrema, Itatiaiuçu e Curvelo. As cinco cidades com maiores despesas em Minas Gerais foram: Nova Lima (Grande BH): R$ 16,02 milhões; Itabirito (Região Central): R$ 15,6 milhões; Barbacena (Campo das Vertentes): R$ 14,8 milhões; Conceição do Mato Dentro (Região Central): R$ 14,7 milhões; e Ituiutaba (Triângulo Mineiro): R$ 13,6 milhões.

O painel do TCE-MG também detalhou os artistas que receberam os maiores volumes de recursos públicos, com o gênero sertanejo dominando o mercado. Eduardo Costa lidera o ranking isoladamente, acumulando R$ 27,5 milhões em apresentações por 83 municípios mineiros. Diego e Victor Hugo somaram R$ 23,4 milhões em contratos com 94 cidades. Leonardo ocupou a terceira posição, com R$ 23 milhões. César Menotti e Fabiano receberam R$ 22,8 milhões em 77 localidades, enquanto Guilherme Silva registrou a maior capilaridade, faturando R$ 22,7 milhões com shows em 126 municípios. Nomes como Fernando e Sorocaba, Gino e Geno, Clayton e Romário, Amado Batista, e Di Paullo e Paulino também constam na relação dos mais contratados.

O volume financeiro expressivo acendeu um alerta nos órgãos de controle e no Legislativo. No final de maio, a Associação Mineira dos Municípios (AMM), representada por seu presidente Lucas Vieira, reuniu-se com o presidente do TCE-MG, Durval Ângelo, para debater a implementação de uma instrução normativa. O objetivo é estabelecer padrões, obrigações e proibições para a realização desses eventos. Paralelamente, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) avança na análise de um Projeto de Lei que visa impor limites rigorosos a esses contratos.

A proposta de lei em análise prevê um teto geral de R$ 500 mil por apresentação ou 1% da Receita Corrente Líquida (RCL) do município, prevalecendo o valor menor. Esse limite engloba cachê, transporte e alimentação. Custos como hospedagem e produção são excluídos do teto, mas não podem exceder 10% do valor total do contrato. Municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elevado, acima de 0,800, poderão ampliar o teto em até 10%, enquanto aqueles com IDH baixo, inferior a 0,599, terão uma redução de até 30% no limite permitido. Adicionalmente, o projeto determina que pelo menos 5% do valor total da atração principal sejam obrigatoriamente destinados à contratação de artistas mineiros.

Em contraste com a tendência de gastos no estado, um grupo seleto de 22 municípios conseguiu passar o período de cinco anos sem desembolsar um único centavo de dinheiro público com shows artísticos. Entre os exemplos destacados pelo tribunal, encontram-se cidades de grande porte como Juiz de Fora e Araxá, além de Andradas, Carmo do Cajuru e Entre Rios de Minas.