O cenário político mineiro para as eleições de 2026 ganhou um novo componente com a movimentação em torno do nome do empresário Josué Gomes da Silva. Filho do ex-vice-presidente José Alencar, o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo surge como uma alternativa para fortalecer o palanque do governo federal no estado. Interlocutores apontam que ele poderia ocupar tanto a vaga na disputa pelo governo quanto compor a chapa majoritária como candidato ao Senado Federal.
A viabilidade política de Josué ocorre em paralelo a um momento crítico para os negócios de sua família. O Grupo Coteminas, presidido pelo empresário, enfrenta um processo de recuperação judicial com dívidas estimadas em 2 bilhões de reais. A crise financeira da companhia têxtil foi agravada por dificuldades de liquidez e pelo impacto da pandemia, levando a Justiça a suspender cobranças de débitos para evitar danos irreparáveis às atividades do grupo. Recentemente, a empresa também enfrentou investigações da Comissão de Valores Mobiliários devido ao descumprimento de obrigações de prestação de informações financeiras.
Natural de Ubá, Josué Gomes carrega o legado político do pai e mantém uma relação de estreita confiança com a cúpula nacional do Partido dos Trabalhadores. Sua experiência eleitoral anterior, em 2014, quando obteve expressiva votação para o Senado, é citada por aliados como prova de seu potencial de aceitação junto ao eleitorado mineiro. Enquanto busca reestruturar o patrimônio familiar em meio ao colapso de mercado das ações do grupo, sua figura é vista como um fator de equilíbrio para consolidar a presença da base governista na disputa estadual que se aproxima.
