A discussão sobre a origem do Sudário de Turim ganhou novos capítulos após uma análise técnica realizada com simulações digitais em três dimensões. O pesquisador Cícero Moraes utilizou modelos computacionais para avaliar se a imagem impressa no tecido seria compatível com o contato direto entre um pano e um rosto humano. Segundo o estudo, o resultado visual encontrado no artefato não corresponde ao que seria esperado de uma impressão física natural, que deveria apresentar distorções acentuadas em áreas como o nariz e os olhos.
A pesquisa indica que a imagem preservada no sudário possui proporções harmoniosas demais para ter sido gerada pelo contato com um corpo real. De acordo com as simulações, ao pressionar um tecido contra uma face humana, a imagem resultante tende a ser deformada e irregular. O especialista aponta que o padrão observado no objeto se assemelha mais a técnicas artísticas de baixo-relevo, comuns durante o período medieval, o que reforçaria a tese de que o tecido não pertence à época em que Jesus viveu.
As conclusões geraram reações imediatas de instituições dedicadas ao estudo do objeto, como o Centro Internacional de Estudos sobre o Sudário de Turim. A entidade afirmou que as análises físico-químicas realizadas anteriormente já haviam descartado interpretações puramente artísticas. Por outro lado, o autor do novo estudo defende que sua abordagem traz dados inéditos sobre a volumetria da imagem e cita outros pesquisadores que também passaram a questionar a antiguidade do tecido, mantendo o impasse entre a ciência, a história e as crenças religiosas.
