A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ipatinga, localizada no bairro Canaã, tornou-se palco de intensas reclamações e protestos de usuários ao longo desta semana. Pacientes que buscaram a unidade relataram tempos de espera que ultrapassam as seis horas para atendimentos classificados como 'pouco urgentes' (cor verde) pelo Protocolo de Manchester. A indignação coletiva motivou uma série de denúncias formais em órgãos de defesa do consumidor e registros em plataformas como o Reclame Aqui.

De acordo com relatos colhidos no local, a sala de espera da unidade permaneceu lotada durante grande parte do dia, com pessoas aguardando atendimento sentadas no chão ou do lado de fora da edificação. 'Cheguei às 8h com sintomas de febre e dor no corpo e já passa das 14h sem qualquer previsão. Dizem que a prioridade é para casos graves, mas o descaso com quem está com dor moderada é total', afirmou um morador que preferiu não se identificar. A situação chegou a exigir a presença discreta de viaturas da Polícia Militar em patrulhamento preventivo nos arredores para garantir a ordem, após princípios de discussões exaltadas entre acompanhantes e funcionários da recepção.

Em resposta à crise, a Secretaria Municipal de Saúde de Ipatinga tem reiterado que a UPA opera acima de sua capacidade técnica devido ao aumento sazonal de casos de arboviroses, como Dengue e Chikungunya, além de síndromes respiratórias. A administração municipal orienta que casos leves, que não configuram urgência e emergência, sejam encaminhados às Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos bairros. No entanto, usuários rebatem a orientação, alegando que os postos de saúde locais também enfrentam dificuldades com a falta de médicos e agendamentos limitados, o que sobrecarrega inevitavelmente a unidade de pronto atendimento 24 horas.