O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, enfrenta um cenário de crescente pressão política que pode forçar o abandono de sua pré-candidatura à Presidência da República em favor de uma disputa ao Senado Federal. Levantamentos recentes realizados por institutos como Datafolha e Real Time Big Data apontam que o gestor mineiro permanece estagnado, oscilando entre 3% e 4% das intenções de voto no cenário nacional. A falta de tração fora de seu estado de origem tem gerado desconforto no Partido Novo, que começa a ver na candidatura ao Legislativo uma estratégia mais segura para manter a relevância do grupo político.
A possibilidade de Zema compor como vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro também sofreu um revés estratégico nas últimas semanas. Articulações internas do Partido Liberal e de aliados da família Bolsonaro indicam uma preferência por uma figura feminina para o posto, com o objetivo de reduzir a resistência ao grupo entre o eleitorado feminino. Nomes como o da senadora Tereza Cristina ganharam força, frustrando os planos iniciais que colocavam o governador mineiro como o parceiro ideal para consolidar os votos da direita e do centro-direita na região Sudeste.
Além das dificuldades na esfera federal, a situação política em Minas Gerais tem pesado na decisão de recuo. Zema enfrenta índices de reprovação significativos em solo mineiro, potencializados por embates com o funcionalismo público e o impasse prolongado sobre a dívida bilionária do estado com a União. Diante de um tabuleiro nacional onde Flávio Bolsonaro já aparece tecnicamente empatado com o presidente Lula em simulações de segundo turno, a manutenção de uma candidatura própria com baixo desempenho é vista por analistas como um risco desnecessário para o futuro político de Zema, que deve oficializar sua saída do governo estadual ainda em março.
