Uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha, divulgada neste domingo, 15 de março de 2026, revela que o apoio da população brasileira ao fim da escala de trabalho 6x1 atingiu 71 por cento. O modelo, que consiste em seis dias de atividade para apenas um de descanso, enfrenta crescente rejeição em comparação a dezembro de 2024, quando o índice de aprovação à mudança era de 64 por cento. O levantamento atual mostra que 27 por cento dos entrevistados são contrários à alteração, enquanto 3 por cento não souberam opinar.

O estudo ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios, apresentando uma margem de erro de dois pontos percentuais. Em Minas Gerais, o debate tem mobilizado sindicatos e representantes da classe trabalhadora em Belo Horizonte e em grandes polos industriais e comerciais do estado, como Uberlândia e Juiz de Fora. A discussão nacional ganha contornos locais à medida que trabalhadores mineiros do setor de serviços e comércio, principais afetados pela jornada de seis dias, pressionam por maior qualidade de vida e tempo de lazer.

No Congresso Nacional, a tramitação de propostas para a redução da jornada semanal avança em paralelo aos anseios populares. Enquanto o governo federal sinaliza uma prioridade na redução da carga de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial, grupos parlamentares defendem um limite ainda menor, de até 36 horas. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defende que a legislação estabeleça o limite de horas, mas que a organização específica das escalas seja definida por meio de negociações diretas entre empresas e categorias profissionais.

A percepção de benefícios para a saúde e o bem-estar é o principal motor do apoio popular, com 76 por cento dos entrevistados acreditando que a mudança melhoraria a qualidade de vida. Por outro lado, o impacto econômico ainda divide opiniões, com 39 por cento prevendo consequências positivas para os negócios e o mesmo percentual temendo efeitos negativos. Especialistas alertam que, embora a transição possa elevar custos operacionais imediatos, a reorganização das escalas e o aumento da produtividade podem mitigar os danos ao Produto Interno Bruto no longo prazo.