O governador Romeu Zema deixa oficialmente o comando de Minas Gerais no próximo domingo, dia 22 de março de 2026, para se desincompatibilizar do cargo e disputar a Presidência da República. Com a renúncia, o vice-governador Mateus Simões assume a chefia do Executivo mineiro com a missão de dar continuidade à gestão e consolidar sua própria candidatura ao governo estadual nas eleições de outubro. A transmissão de cargo ocorre em um momento de definições políticas cruciais para o grupo governista, que tenta manter o controle do estado após a saída do titular.
A troca de comando no Palácio Tiradentes é acompanhada por um cenário fiscal alarmante, com a dívida consolidada de Minas Gerais atingindo a marca de 204,85 bilhões de reais sob a gestão de Zema e Simões. Quando a atual administração iniciou o primeiro mandato em 2019, o débito total era de aproximadamente 114,7 bilhões de reais, o que representa um salto de mais de 75% no estoque da dívida em pouco mais de sete anos. O crescimento exponencial é atribuído ao acúmulo de juros e encargos sobre as parcelas não pagas à União durante o período de vigência de liminares judiciais que suspenderam o serviço da dívida.
Mateus Simões assume o governo com o desafio imediato de gerir um déficit de caixa estimado em 11,3 bilhões de reais, o que a oposição classifica como uma herança maldita deixada pela chapa eleita em 2022. Para viabilizar sua candidatura em outubro, o novo governador precisará equilibrar a manutenção dos serviços públicos com a pressão do endividamento bilionário que recai sobre o orçamento estadual. A estratégia de Simões deve focar na aceleração de programas de desestatização e na renegociação de ativos junto ao Governo Federal, buscando reduzir o peso do passivo financeiro herdado para apresentar resultados positivos ao eleitorado mineiro durante a campanha.
