Criada oficialmente em 14 de junho de 1965 pelo Papa Paulo VI, por meio da Bula Haud Inani, a Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano nasceu do desmembramento territorial das Arquidioceses de Mariana e Diamantina. Abrangendo atualmente 24 municípios em uma região fortemente marcada pelas indústrias da mineração e da siderurgia, a diocese possui sua sede principal em Itabira e uma co-sede em Coronel Fabriciano. Desde a sua fundação, a instituição buscou alinhar sua atuação evangelizadora com a realidade social dos trabalhadores locais, consolidando-se como um importante pilar comunitário no estado de Minas Gerais.

Os primeiros anos de formação foram acompanhados de profundas transformações e grandes desafios sob a liderança de seu primeiro bispo, Dom Marcos Antônio Noronha. Tendo participado das últimas sessões do Concílio Vaticano II, ele buscou implementar inovações litúrgicas profundas, como a missa celebrada em português e de frente para os fiéis, o que gerou certo choque em uma população historicamente conservadora. Além da difícil adaptação religiosa, a diocese precisou navegar pelos anos tensos do regime militar, período em que o engajamento social das paróquias e os grupos de reflexão foram duramente vigiados, resultando em perseguições e prisões de membros do clero.

A trajetória da diocese também é marcada pela superação de adversidades físicas e pela força do trabalho coletivo. Um momento de grande comoção ocorreu com a queda do teto e das paredes da antiga catedral em Itabira, o que obrigou as celebrações a serem transferidas temporariamente para a pequena Igreja do Rosário. A resposta da comunidade, no entanto, foi exemplar: a partir de 1976, os fiéis se organizaram em grandes mutirões para preparar os alicerces e erguer o novo templo. Na mesma época, o pastoreio de Dom Mário Teixeira Gurgel, auxiliado posteriormente por Dom Lélis Lara, fortaleceu a organização local com o primeiro Plano Diocesano de Pastoral.

Hoje, no ano de 2026, a Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano atravessa um importante período de transição enquanto celebra seu legado de mais de sessenta anos. No início deste ano, o então bispo Dom Marco Aurélio Gubiotti, que pastoreou a região por mais de 12 anos, foi nomeado Arcebispo de Juiz de Fora pelo Papa Leão XIV. Atualmente com a sé vacante e sob administração diocesana, a igreja local aguarda a chegada de um novo líder. Apesar da mudança, a diocese mantém firme sua identidade missionária e sinodal, honrando a história de resistência e fé daqueles que construíram suas bases.