Morte por Terreno e Água Choca São João Evangelista e Revela Complexa Briga Familiar no Leste de Minas
Uma disputa acirrada por um terreno e pelo uso da água de um córrego culminou em tragédia na última sexta-feira (3 de abril) em São João Evangelista, no Leste de Minas. Adair Felix de Sousa, de 57 anos, foi fatalmente baleado na comunidade rural de Ouro Verde, após meses de conflitos, ameaças e desentendimentos familiares que expõem uma intrincada rede de rivalidades na região. O homem, socorrido às pressas, não resistiu aos ferimentos, transformando a contenda em um caso de homicídio que agora mobiliza a Polícia Civil.
A raiz do conflito remonta ao retorno de Adair e sua esposa, vindos do Espírito Santo, para adquirir uma propriedade que pertencia ao pai dela. O problema surgiu quando descobriram que o terreno já havia sido negociado anteriormente, mas o comprador original não teria quitado o valor combinado. Após uma renegociação e uma decisão judicial que autorizou a transferência dos direitos à vítima, o antigo comprador recusou-se a desocupar o local, iniciando um ciclo de ameaças, incluindo a afirmação de que Adair “sairia dali vivo ou morto”.
Além da posse da terra, a briga se estendia ao uso da água de um córrego que corta a propriedade. A esposa da vítima relatou à polícia desentendimentos com familiares vizinhos, motivados por uma estrutura improvisada com manilhas que Adair havia instalado para irrigar um futuro plantio de café. Essa intervenção teria gerado denúncias e aprofundado as tensões. A mulher também mencionou que o marido recebia ameaças por telefone, e o aparelho, que poderia conter evidências, não foi localizado após o crime.
No dia do homicídio, a esposa de Adair ouviu três disparos e, ao olhar pela janela, avistou dois homens em uma moto fugindo do local, além de uma caminhonete, supostamente ligada a parentes do antigo comprador, passando em alta velocidade. A vítima foi encontrada caída e levada ao hospital por um parente, mas não conseguiu identificar os agressores. A Polícia Militar localizou e ouviu as pessoas citadas nos relatos, que negaram envolvimento, e buscas na região não encontraram materiais ilícitos, resultando na ausência de prisões em flagrante.
O caso, registrado como homicídio, está agora sob investigação da Polícia Civil, que buscará esclarecer a autoria e as circunstâncias exatas do crime. A complexidade das disputas por terra e água, somada às antigas rivalidades familiares e às ameaças pré-existentes em São João Evangelista, serão elementos cruciais para a apuração, na tentativa de levar os responsáveis pela morte de Adair Felix de Sousa à justiça.
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