A mãe de uma criança de seis anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denunciou à Polícia Civil de Alagoas uma grave suspeita de abuso ocorrido em uma clínica terapêutica no bairro Gruta de Lourdes, em Maceió. O caso, que já está sob investigação, veio à tona após a mãe notar significativas alterações no comportamento da filha, gerando um profundo desespero na família. A denúncia ressalta a vulnerabilidade de crianças com necessidades especiais em ambientes de cuidado.

A menina, que além do TEA possui epilepsia refratária, retardo moderado e dificuldades de comunicação, apresentou mudanças drásticas de comportamento após uma sessão em 23 de março. A mãe relatou que a criança passou a pedir beijos de forma insistente e teve reações atípicas durante o banho, além de mencionar uma "titia" ao ser questionada, o que intensificou a preocupação familiar. Este cenário aponta para a urgência em garantir a segurança em clínicas terapêuticas para pacientes infantis.

Diante dos sinais alarmantes, a mãe imediatamente procurou a polícia, registrando uma ocorrência e encaminhando a criança para exames no Instituto Médico Legal (IML). A delegada Talita Aquino confirmou que a Polícia Civil de Alagoas já iniciou as investigações, recolhendo imagens do local e programando o depoimento dos profissionais da clínica envolvidos. A defesa da família notificou a instituição, mas considerou a resposta recebida inadequada, interpretando-a como uma tentativa de intimidação no processo de denúncia.

Emocionalmente abalada, a mãe expressou seu sofrimento, desabafando sobre a perda do chão e a incapacidade de proteger a filha, afirmando: "Não tenho vontade de comer nem dormir. Eu perdi o chão. Meu dever é proteger, e eu não consegui". Ela clama por responsabilização e justiça, destacando a árdua batalha judicial de mais de três anos para conseguir a vaga na clínica, com tratamento custeado pelo município, o que torna o trauma ainda mais devastador para a família.

A Polícia Civil de Maceió segue empenhada nas investigações para esclarecer os fatos e assegurar que a justiça seja devidamente aplicada. A família expressa a esperança de que este caso sirva de alerta, impedindo que outras crianças, especialmente as com TEA e outras necessidades especiais, passem por situações semelhantes. O Portal Minas acompanhará de perto os desdobramentos deste caso, que reforça a discussão sobre os direitos autistas e a proteção de menores em ambientes de saúde infantil.