A Diocese de Itabira, oficialmente designada hoje como Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano, carrega uma trajetória de profunda importância para a organização religiosa e social do leste de Minas Gerais. Instituída canonicamente em 14 de junho de 1965, por meio da bula *Haud Inani* do Papa Paulo VI, a diocese foi formada pelo desmembramento de territórios pertencentes às Arquidioceses de Mariana e Diamantina. Seu primeiro bispo foi Dom Marcos Antônio Noronha, que assumiu a missão de estruturar a nova jurisdição eclesiástica que hoje abrange dezenas de municípios mineiros, consolidando a presença da Igreja Católica em uma região historicamente marcada pela extração mineral e pelo rápido desenvolvimento industrial.

A história da diocese é fortemente marcada por episódios de resiliência comunitária, sendo o mais notório deles a reconstrução de sua própria sede episcopal. Em 1970, após um longo período de chuvas intensas, o teto e partes das paredes da antiga Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Itabira, desabaram. Essa tragédia forçou a transferência das principais funções litúrgicas episcopais para a Igreja Matriz de São Sebastião, em Coronel Fabriciano, que posteriormente foi elevada à condição de co-catedral. Apenas na década de 1980, graças ao esforço conjunto, doações e mutirões dos fiéis, a nova Catedral de Nossa Senhora do Rosário foi erguida em Itabira, projetada em um formato circular sem colunas internas para simbolizar acolhimento e a proximidade da comunidade.

Muito além da administração sacramental, a Diocese destacou-se ao longo das décadas por seu expressivo engajamento nas áreas social e educacional. No final dos anos 1960, em parceria com a Congregação dos Padres do Trabalho, a liderança diocesana foi uma das principais responsáveis pela fundação da Universidade do Trabalho (UT), que mais tarde daria origem ao Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais (Unileste), no Vale do Aço. A firme atuação de suas pastorais sociais — impulsionada por figuras marcantes como o segundo bispo, Dom Mário Teixeira Gurgel, e o bispo auxiliar (posteriormente diocesano) Dom Lelis Lara — transformou a instituição em uma voz ativa na defesa dos direitos básicos e na promoção da dignidade humana.

Atualmente, sob o pastoreio de Dom Marco Aurélio Gubiotti, a Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano segue como uma comunidade viva e atuante, administrando mais de 50 paróquias e atendendo a uma vasta população. Em 2025, a diocese celebrou com grande festividade o Jubileu de seus 60 anos de criação, renovando seus compromissos pastorais. Paralelamente, marcos importantes continuam a ser celebrados, como o recente bicentenário da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, atestando que a história da diocese não é apenas um registro do passado, mas a continuidade de uma fé que ajudou a moldar a identidade do povo mineiro.