O ministro Dias Toffoli, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), optou por se declarar suspeito em um julgamento que aborda a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira, 22 de abril de 2026, com repercussões diretas para a continuidade do processo.

A questão está sendo examinada em plenário virtual pela Segunda Turma da Corte. A pauta exige que os ministros decidam se ratificam ou não o mandado de prisão originalmente expedido por André Mendonça. O processo de votação teve início por volta das 11h da manhã, e os magistrados dispõem até a próxima sexta-feira, dia 24, para formalizar seus votos. Até o presente momento, o placar registra 1 a 0 a favor da manutenção da prisão de Paulo Henrique Costa.

A declaração de suspeição configura um mecanismo jurídico pelo qual magistrados podem se eximir de participar de um determinado julgamento. Essa abstenção ocorre quando há questionamentos sobre sua imparcialidade, frequentemente em virtude de vínculos como amizade com alguma das partes envolvidas ou interesses diretos no desfecho da questão. O ministro Toffoli, aliás, já havia demonstrado um posicionamento idêntico em análises anteriores relacionadas ao Caso Master.

Previamente à assunção da relatoria por André Mendonça, o próprio Toffoli detinha a responsabilidade sobre o caso no âmbito do STF. Contudo, ele se afastou dessa atribuição em fevereiro, após a Polícia Federal (PF) ter remetido ao então presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório contendo informações cruciais extraídas do aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Consequentemente, com a formalização da suspeição, o julgamento prosseguirá normalmente, contando com a participação de quatro ministros. Em uma situação de empate na votação, prevalecerá a decisão que se mostre mais favorável ao réu. É importante salientar que Paulo Henrique Costa foi detido na semana anterior, depois que investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que ele teria recebido de Daniel Vorcaro seis propriedades de luxo, cujo valor total foi estimado em R$ 140 milhões.