Prefeito de Guanhães é denunciado pelo MPMG por perseguição com drones e abuso de poder contra ex-mulher
Evandro Lott Moreira (Republicanos), atual prefeito de Guanhães, encontra-se detido preventivamente desde 1º de abril sob investigação por violência doméstica contra sua ex-mulher, conforme apurações da Polícia Civil. A denúncia formal, apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), descreve um padrão de perseguição que inclui o uso de funcionários da prefeitura e até drones para monitorar a ex-companheira após o término do relacionamento. As acusações abrangem ainda ameaça de morte, violência psicológica e posse ilegal de arma de fogo. O MPMG também solicitou à Justiça a abertura de novas investigações para apurar outros possíveis crimes, como tentativa de feminicídio, abuso de autoridade e "rachadinha".
O órgão ministerial detalha que o chefe do executivo municipal perseguiu a ex-parceira de forma contínua e consciente, perturbando sua liberdade e privacidade através de vigilância ininterrupta, ameaças e monitoramento constante de seus deslocamentos. A denúncia aponta que a perseguição foi intensificada com a mobilização de servidores públicos subordinados ao prefeito e, segundo relatos de uma testemunha, com a utilização de equipamentos de vigilância, como drones. Essa conduta foi tipificada como perseguição qualificada, por ter sido praticada contra uma mulher no contexto de violência doméstica e familiar, conforme previsto na Lei Maria da Penha.
As investigações revelam que o prefeito teria enviado à vítima, por meio de um aplicativo de mensagens, a imagem de uma arma de fogo. Em uma conversa gravada pela ex-mulher, Moreira expressou sua recusa em aceitar a separação, afirmando que a "reconquistaria" e que "ela não seria de mais ninguém". Ele também admitiu, em um momento anterior, ter "tido vontade de matá-la" quando acreditou ter sido traído. Uma testemunha afirmou que o prefeito também teria feito grave ameaça de morte ao declarar que, “por qualquer 20 ou 30 mil”, poderia “sumir com ela e com ele”, referindo-se à vítima e ao atual companheiro dela.
Além disso, o MPMG acusa o prefeito de causar dano emocional à ex-mulher, afetando seu desenvolvimento e autodeterminação por meio de coação, isolamento, vigilância, perseguição, constrangimento, manipulação e controle. Em 2024, durante a campanha eleitoral, Evandro Lott Moreira pressionou a então companheira para que não divulgasse a intenção de se separar, alegando a necessidade de apoio de igrejas evangélicas. A Procuradoria ainda aponta que ele utilizou em sua campanha política relatos de abusos sexuais sofridos pela vítima na infância e adolescência, expondo-a publicamente e causando profundo constrangimento. O documento também indica que o prefeito a obrigava a manter uma aparência pública de relacionamento mesmo após a separação e comentava com terceiros que ela estaria “louca”.
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, foram encontradas duas armas: um revólver calibre .38 em um cofre no quarto do prefeito e uma espingarda calibre .36 em uma propriedade rural vinculada a ele. O Ministério Público sustenta que a prisão preventiva deve ser mantida, considerando a periculosidade do denunciado, o risco de obstrução da Justiça e a possibilidade de coação de testemunhas. Em nota enviada à época da prisão, a defesa de Evandro Lott Moreira declarou que ele colaborou com as autoridades, não ofereceu resistência à prisão e entregou voluntariamente o celular para perícia. Os advogados informaram discordar da decisão judicial, negaram a prática de qualquer tipo de violência e afirmaram que adotariam as medidas judiciais cabíveis para tentar reverter a prisão.
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