O cenário político mineiro ganha contornos de incerteza após a divulgação da pesquisa Quaest nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, indicando que o atual governador Mateus Simões poderá enfrentar sérias dificuldades em sua campanha de sucessão. Como 49 por cento dos eleitores mineiros afirmam que Romeu Zema não merece eleger um sucessor, o apoio direto do ex-governador, antes visto como um trunfo eleitoral, agora desponta como um potencial obstáculo. Simões, que assumiu o cargo após a renúncia de Zema para a disputa presidencial, herda a máquina pública, mas também o desgaste de uma parcela majoritária do eleitorado que rejeita a continuidade do grupo político no comando do estado.

A resistência à indicação de Zema reflete um desejo de renovação que pode isolar a candidatura de Mateus Simões, especialmente diante do dado de que 44 por cento dos mineiros desejam uma mudança total na forma de governar. O atual mandatário, filiado ao PSD, precisará equilibrar a manutenção do legado da gestão anterior com a necessidade de construir uma identidade própria para conter o avanço da oposição. Especialistas apontam que a dependência excessiva da imagem de Zema, que agora foca em agendas nacionais, pode deixar Simões vulnerável em debates locais, principalmente onde a desaprovação ao governo anterior é mais acentuada e o desejo por novas alternativas políticas ganha força.

Os desdobramentos dessa pesquisa colocam as estratégias de pré-campanha em alerta, uma vez que a transferência de votos não se mostra automática como planejado inicialmente pela cúpula do partido Novo e seus aliados. Com uma margem de erro de 3 pontos percentuais, os números da Quaest sugerem que Mateus Simões terá de buscar alianças além do círculo zemanista para viabilizar sua permanência no Palácio Tiradentes. A conclusão do levantamento reforça que o eleitorado de Minas Gerais está cada vez mais crítico à ideia de herança política, exigindo que o atual governador prove sua capacidade de gestão independentemente do apadrinhamento de seu antecessor para evitar uma derrota nas urnas em outubro.