O Tribunal do Júri de Varginha, em Minas Gerais, decidiu pela absolvição de Leonardo José Cardoso Azevedo Capitâneo, acusado do homicídio do menino Davi Miranda Totti, de apenas três anos. A decisão, proferida nesta quinta-feira (30), concluiu um julgamento que se estendeu por dois dias, gerando grande repercussão na comunidade local.

Durante a sessão, o Conselho de Sentença, por maioria de votos, confirmou a materialidade do crime contra Davi. Contudo, os jurados responderam negativamente ao quesito fundamental sobre a autoria, não atribuindo a Leonardo José Cardoso Azevedo Capitâneo a responsabilidade pela morte do enteado. Essa conclusão resultou na absolvição do réu das acusações de homicídio qualificado e tortura.

A defesa de Capitâneo sustentou a tese de negativa de autoria, solicitando a absolvição do acusado. Por outro lado, o Ministério Público havia pleiteado a condenação por homicídio qualificado, destacando o uso de meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e o fato de o crime ter sido cometido contra um menor de 14 anos. Com a decisão do júri de 4 votos a 2 pela não autoria, encerrando a votação, a Justiça determinou a expedição imediata de um alvará de soltura em favor do réu, que estava em prisão preventiva. A decisão, no entanto, ainda pode ser alvo de recurso.

O julgamento, que teve início na quarta-feira (29), revisitou os detalhes do trágico caso ocorrido em 25 de fevereiro de 2025. Naquele dia, Davi foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) pela mãe e pelo padrasto. A Polícia Militar foi acionada pela equipe médica ao constatar a gravidade do estado de saúde da criança, que apresentava crise convulsiva, múltiplos ferimentos, hematomas, lesões no couro cabeludo, sangramento no globo ocular e na boca, além de traumatismo craniano. Em seu depoimento inicial, o padrasto afirmou desconhecer a origem das lesões, alegando apenas ter colocado o menino para dormir antes da mãe retornar da igreja.

O pai de Davi relatou às autoridades ter visto o filho pela última vez em 22 de fevereiro, quando o menino não exibia sinais de agressão. Após 14 dias internado no Hospital Regional de Varginha, Davi Miranda Totti não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada em 11 de março. Durante o júri, o advogado de acusação, Roberto Massote, enfatizou a busca por respostas da família, enquanto o defensor, Fábio Gaudêncio, apontou falhas na investigação. A mãe da criança chegou a ser investigada por omissão de socorro, porém, conforme informações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, não foi denunciada pelo Ministério Público neste processo específico.