O prefeito Valdeci Dornelas e o vice-prefeito Renaldo Inácio, ambos de Nova Belém, localizada no Vale do Rio Doce, tornaram-se réus após a Justiça Federal acolher a denúncia apresentada pelo Ministério Público. A acusação principal envolve a participação de ambos em um sofisticado esquema destinado ao envio ilegal de cidadãos brasileiros para os Estados Unidos, utilizando o México como rota. A decisão judicial ressalta a existência de fortes indícios de que o grupo teria obtido milhões de reais com a organização da saída irregular de, pelo menos, 349 pessoas para o exterior.

As investigações aprofundadas sobre o caso revelam um vasto esquema que, conforme a Justiça Federal, demonstra a atuação coordenada dos envolvidos. O processo judicial agora avança para a fase de instrução, onde as provas serão detalhadamente analisadas. A complexidade da operação e o número expressivo de indivíduos envolvidos indicam a dimensão da rede que facilitava a migração irregular.

Em um momento anterior do processo, tanto Valdeci Dornelas quanto Renaldo Inácio chegaram a ser presos preventivamente. No entanto, ambos conseguiram a liberdade provisória através de habeas corpus, com a imposição de medidas cautelares determinadas pela Justiça. É importante notar que a chapa que os elegeu para administrar Nova Belém em 2020 e que foi reeleita em 2024 permanece nos cargos enquanto o processo judicial segue seu curso.

A denúncia do Ministério Público aponta o prefeito de Nova Belém como o líder operacional do esquema criminoso. Valdeci Dornelas teria sido diretamente responsável pela organização das viagens, pela coordenação com outros membros da associação criminosa e pelo recebimento da maior parte das vantagens econômicas geradas. Relatórios elaborados pela Polícia Federal indicam que, no período compreendido entre 2020 e 2024, Dornelas movimentou valores que ultrapassam R$ 46 milhões no contexto dessa operação ilícita.

No que se refere ao vice-prefeito, Renaldo Inácio, a promotoria detalha sua atuação direta no agenciamento das viagens. Ele é considerado um co-organizador do esquema, trabalhando em conjunto com o prefeito. As apurações revelam que Inácio mantinha um vínculo diário com os migrantes que eram enviados, sendo responsável por receber pagamentos, emitir recibos e administrar garantias, que incluíam veículos e procurações. Estimativas indicam que, também entre 2020 e 2024, o vice-prefeito teria movimentado aproximadamente R$ 7 milhões através de suas atividades no esquema.