Um coletivo de prefeitos que representa a região Sudoeste de Minas Gerais está preparando um manifesto público para confrontar a viabilidade das propostas do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). As críticas concentram-se na defendida redução do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e nas políticas de isenção fiscal praticadas pelo Poder Executivo estadual, temas centrais na corrida pelo Palácio Tiradentes.

Marcelo Morais (PSD), prefeito de São Sebastião do Paraíso, exemplifica a preocupação dos gestores municipais ao apontar que a arrecadação anual de IPVA em sua cidade, cerca de R$ 24 milhões, equivale ao pagamento de quase cinco folhas salariais da prefeitura. Segundo Morais, embora haja reconhecimento da necessidade de desburocratizar a carga tributária no Brasil, é inadmissível que tais propostas sejam feitas com fins eleitoreiros, apresentando iniciativas que poderiam inviabilizar a administração financeira de centenas de municípios.

Outro ponto de apreensão levantado por Morais refere-se à possível diminuição das isenções fiscais. O prefeito relata que São Sebastião do Paraíso já enfrenta um cenário de queda na geração de empregos e renda, devido à recente mudança de algumas das maiores empresas do município para o estado de São Paulo. Ele argumenta que para atrair investimentos em Minas Gerais, a competitividade é crucial, e um corte drástico nas isenções poderia afastar muitos empreendimentos, prejudicando novamente os municípios e a população mais vulnerável.

O senador Cleitinho tem também advogado a cobrança de impostos de mineradoras que operam em Minas. Contudo, a legislação vigente assegura isenção do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) nas operações de exportação de minério de ferro, o que complexifica a proposta. Em resposta às críticas, Cleitinho, através de sua assessoria, defendeu que a redução do IPVA seria compensada. Ele sugere a revisão de parte dos incentivos fiscais, que totalizam quase R$ 30 bilhões para o próximo ano, destinando uma parcela desses recursos para ressarcir os municípios. O senador ainda propõe um IPVA mais justo para atrair veículos de volta a Minas, que hoje são emplacados em outros estados devido ao imposto elevado, buscando assim ampliar a base de arrecadação. A discussão sobre as propostas fiscais e seu impacto nos orçamentos municipais promete ser um dos eixos centrais nas eleições de 2026.

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