A Usiminas, siderúrgica controlada pelo conglomerado Ternium, iniciou nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, as obras para a implantação de uma nova coqueria em sua unidade industrial de Ipatinga. O aporte, que totaliza R$ 1,7 bilhão, integra um ciclo maior de investimentos de aproximadamente R$ 3 bilhões que a empresa destinará ao complexo mineiro até 2029, com o objetivo de reconstruir e modernizar completamente o Alto-Forno 3. A iniciativa foi comunicada por Marcelo Chara, CEO da Usiminas, durante o Congresso Aço Brasil, realizado em São Paulo, e reitera o "total compromisso com a industrialização e o desenvolvimento da competitividade do Brasil", segundo o executivo.

A construção da coqueria é estratégica para a operação da siderúrgica, uma vez que permitirá que a Usiminas substitua a importação de coque pela sua própria produção, alimentando diretamente o alto-forno. Esta medida é esperada para otimizar o balanço energético, reduzir custos operacionais e, consequentemente, ampliar a competitividade da usina de Ipatinga. Chara enfatizou a importância do projeto para a região, destacando a geração de empregos na cidade e o estímulo à cadeia produtiva local, com o envolvimento de fornecedores da área. Ele reforçou que a ação assegura o compromisso da empresa com o fortalecimento da cadeia de valor no Brasil.

Apesar dos investimentos, o CEO da Usiminas expressou profunda preocupação com o cenário atual do setor siderúrgico nacional. O mercado brasileiro tem sido desafiado pela concorrência do aço bruto importado e, cada vez mais, pela entrada de produtos acabados, especialmente veículos, que chegam ao país com preços subsidiados, fora dos padrões de mercado. Marcelo Chara classificou essa dinâmica como um risco direto à indústria nacional e aos empregos de alta qualificação, sublinhando a necessidade urgente de respostas regulatórias para nivelar as condições de concorrência. Ele reconheceu a eficácia de medidas governamentais recentes, como mecanismos antidumping e o sistema de cota-tarifa, que já resultaram na redução da importação direta de aço bruto de 23% para 18% no acumulado do ano.

No entanto, Chara alertou que a principal ameaça atualmente não reside apenas no aço primário, mas na crescente "invasão indireta" de bens manufaturados com alto conteúdo siderúrgico. As estimativas da Usiminas indicam que a entrada desses produtos industrializados deve alcançar um recorde superior a 7 milhões de toneladas este ano, que, somadas às mais de 4 milhões de toneladas de aço bruto importado, totalizam uma pressão que supera a marca de 11 milhões de toneladas sobre o mercado. O setor automotivo ilustra bem essa situação: a projeção é de que quase 1 milhão de veículos importados entrem no Brasil, o que representa cerca de 30% de todo o mercado nacional e impacta severamente a demanda das usinas que fornecem matérias-primas para a cadeia de suprimentos local. Chara criticou a prática de montagem de veículos no país a partir de peças importadas, argumentando que isso cria uma "falsa ilusão de benefício" ao consumidor e "esvazia o setor produtivo local", levando à substituição de oito a dez empregos brasileiros por carro importado. Ele pontuou que o Brasil se tornou um destino para esse fluxo desordenado de comércio porque grandes blocos econômicos, como os Estados Unidos, a União Europeia e o México, implementaram fortes barreiras de proteção, incluindo tarifas severas e cotas de importação rígidas, uma abordagem que o Brasil precisa adotar. Diante do quadro, o presidente da Usiminas defendeu a criação de políticas industriais focadas em maior conteúdo local e cobrou criatividade do governo na formulação de novas medidas. Ele avaliou positivamente a proposta "Pró-Aço", citada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, mas salientou a importância de canalizar o debate em ações concretas para conter o avanço desmedido do manufaturado estrangeiro.

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