Na região do Vale do Aço, leituristas que prestam serviço para a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) por meio da empresa terceirizada Allsan Engenharia, enfrentam uma situação delicada: atrasos frequentes no pagamento de salários e benefícios. A problemática, que tem se intensificado nos últimos meses, foi detalhada por funcionários que optaram pelo anonimato, temendo prejuízos profissionais.

Entre as irregularidades apontadas, estão três meses de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em atraso. Além disso, no mês passado, houve falhas no repasse do salário, do aluguel dos veículos utilizados para o trabalho e do vale-alimentação. Segundo um dos trabalhadores entrevistados, o aluguel dos veículos, que deveria ter sido pago em 31 de agosto, e o vale-alimentação, previsto para 1º de setembro, não haviam sido creditados até a tarde da última terça-feira, 8 de setembro. O salário, com data de depósito em 5 de setembro, também estava pendente.

A situação afeta um grupo de 21 leituristas, que utilizam motocicletas próprias para cobrir uma extensa área, incluindo municípios do Vale do Rio Doce, como São José do Goiabal e Periquito. O aluguel pago pela Allsan Engenharia é destinado a cobrir custos de manutenção e uso dos veículos, porém, com os atrasos, os profissionais precisam arcar com essas despesas antecipadamente, gerando um impacto financeiro significativo. Em resposta aos problemas, parte dos trabalhadores realizou uma paralisação parcial das atividades na terça-feira (8), com outros ameaçando aderir caso a situação não seja regularizada.

Questionada pelos trabalhadores, a Allsan Engenharia apresentou diversas justificativas para os atrasos. Inicialmente, mencionou instabilidades nos sistemas bancários (Banco do Brasil e Alelo) para os problemas de aluguel e vale-alimentação. Posteriormente, alegou falta de recursos, aguardando captação de dinheiro. Uma última comunicação da supervisão, na sexta-feira (4), indicou que os pagamentos teriam sido efetuados, mas não apareceriam devido a um suposto problema no Banco do Brasil, o que foi contestado pelos funcionários. Por sua vez, a Copasa, contratante da terceirizada, afirmou fiscalizar seus contratos e garantir que as obrigações trabalhistas são de responsabilidade da empresa empregadora. A companhia informou estar realizando verificações e que, se houver descumprimento contratual, medidas cabíveis serão tomadas conforme a legislação.

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