O sacerdote católico Frei Gilson, conhecido por seu ministério "Som do Monte" e grande alcance digital, foi formalmente denunciado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta terça-feira, 5 de março. As acusações referem-se a supostas falas discriminatórias direcionadas à comunidade LGBT+ e a mulheres, que teriam sido proferidas em pregações e divulgadas nas redes sociais do religioso. A representação foi protocolada pelo ex-noviço e jornalista Brendo Silva.

Segundo o documento entregue às autoridades do MPSP, Frei Gilson é acusado de usar o termo "homossexualismo" em vídeos e de categorizar a orientação sexual como uma "desordem" e "depravação grave". A denúncia também aponta para pregações onde o sacerdote defende a submissão feminina aos homens. Na representação, Brendo Silva enfatizou que "liberdade religiosa não é liberdade para odiar", ressaltando a gravidade das supostas declarações.

Até o momento, o caso permanece como uma representação em fase de análise preliminar. Não há informações públicas sobre a abertura de uma investigação formal, instauração de ação penal ou qualquer tipo de condenação envolvendo o líder religioso. Frei Gilson, que possui milhões de seguidores em suas transmissões de oração madrugada adentro no YouTube, esteve recentemente em Belo Horizonte (MG), participando do evento católico "Cristo é o Show" no Mineirão no último domingo, 3 de março, que atraiu cerca de 75 mil pessoas.

O MPSP deverá agora conduzir uma avaliação preliminar para determinar se há elementos suficientes para abrir um procedimento investigativo. Essa tarefa ficará a cargo do Gecradi, grupo especializado em delitos de intolerância, que irá analisar o contexto das falas e verificar se houve a prática de discriminação, conforme as alegações.

É importante notar que, desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo em nível nacional. Adicionalmente, no estado de São Paulo, manifestações discriminatórias baseadas na orientação sexual também podem ser enquadradas na Lei Estadual 10.948/2001. Até a publicação desta reportagem, Frei Gilson e sua equipe não haviam se pronunciado oficialmente sobre as acusações.