A partir da década de 1990, o conceito de desenvolvimento econômico passou por uma significativa reformulação, especialmente em Juiz de Fora. Diante do avanço da globalização, da abertura de mercados e de um cenário nacional de desindustrialização, o tradicional modelo da "Manchester Mineira", historicamente focado no pioneirismo têxtil e no suporte estatal direto, mostrou-se inadequado para as novas exigências globais. Esse período marcou o início de uma profunda transição, impulsionando a cidade a buscar um novo caminho para sua vocação econômica e territorial.

Nesse contexto desafiador, Juiz de Fora deu origem a uma nova abordagem estratégica para o Desenvolvimento Econômico Local. Uma das principais mudanças de paradigma foi a transição de um planejamento "de cima para baixo" para uma visão "de baixo para cima". Isso significou que as diretrizes de crescimento deixaram de ser exclusivamente dependentes do governo federal ou de grandes aportes industriais estatais. O município assumiu a liderança na formulação de suas próprias estratégias, promovendo a articulação entre lideranças locais, sindicatos patronais e a sociedade civil para atrair e reter investimentos.

Outro pilar fundamental foi a valorização do potencial endógeno da cidade. Em vez de depender exclusivamente do modelo fabril do passado, Juiz de Fora passou a explorar e fortalecer seus ativos intrínsecos. Destacam-se o reconhecido potencial acadêmico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), sua localização geográfica estratégica na divisa com o Rio de Janeiro, e uma consolidada tradição nos setores de comércio e serviços. Essa nova perspectiva permitiu que a cidade diversificasse sua economia e criasse novas frentes de crescimento.

A nova estratégia se consolidou em pilares como o agrupamento de setores estratégicos, fomentando o polo industrial moderno — englobando segmentos automotivo, metalmecânico, farmacêutico e de vestuário — e solidificando a cidade como um importante centro de saúde e serviços na Zona da Mata. A inovação e qualificação, impulsionadas pelo ecossistema acadêmico da UFJF e faculdades privadas, tornaram-se vetores para o desenvolvimento tecnológico e o surgimento de startups. Além disso, a inclusão social e a sustentabilidade foram integradas ao crescimento econômico, com foco na preservação ambiental e na expansão do mercado de trabalho em comércio, turismo de eventos e gastronomia. O fortalecimento do empreendedorismo local, com apoio às Micro e Pequenas Empresas (MPEs) e ao setor de serviços, garantiu a geração de renda e a retenção de riqueza na comunidade juiz-forana.

Essa trajetória, iniciada nos anos 1990, permitiu que Juiz de Fora superasse os desafios impostos pela crise de seu antigo modelo industrial. Ao harmonizar seu legado cultural, sua força educacional e o dinamismo de seus serviços, a cidade se posiciona como protagonista de seu próprio futuro, reforçando sua autonomia e resiliência no cenário mineiro e nacional.

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