A justiça de Israel decidiu, nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, estender a prisão do ativista de extrema-esquerda Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek até o próximo domingo, 10 de maio. Os dois, que foram detidos na semana passada nas proximidades da costa grega, são participantes da flotilha Global Sumud, que tinha como objetivo romper o bloqueio naval imposto à Faixa de Gaza. Eles fizeram sua segunda aparição em um tribunal em Ashkelon, a 60 quilômetros de Tel Aviv, com os pés algemados.

Esta prorrogação, que adiciona seis dias à custódia, marca o segundo adiamento da decisão judicial, com uma primeira extensão de dois dias já validada no domingo anterior. Hadeel Abu Salih, advogada da organização israelense de direitos humanos Adalah, que defende os ativistas, criticou a medida, classificando-a como "ilegal" e acusando as autoridades de permitir "tortura psicológica" durante o período de detenção. As autoridades israelenses sustentam que os dois homens possuem ligações com o movimento islamista palestino Hamas, uma alegação que ambos os ativistas veementemente negam.

Em meio a esse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se nesta terça-feira por meio de uma plataforma social, exigindo a imediata libertação de Ávila e Keshek. Lula classificou a ação de Israel como "injustificável" e afirmou que o governo brasileiro, em conjunto com o da Espanha, "exige que eles recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos". O governo espanhol, por sua vez, demonstrou grande indignação com as prisões, classificando-as como "ilegais" e "inaceitáveis" e reforçando que o Ministério das Relações Exteriores de seu país ainda aguarda a apresentação de "nenhuma prova" das supostas ligações com o Hamas.

A advogada Hadeel Abu Salih esclareceu que a prorrogação foi concedida atendendo a um pedido da polícia por mais tempo para interrogatórios, descrevendo a situação como uma tentativa de criminalizar a solidariedade ao povo palestino e a tentativa de furar o "cerco ilegal a Gaza". A defesa já interpôs um recurso contra a decisão, e a audiência de apelação está agendada para esta quarta-feira, em Beersheba, no sul de Israel. Lara Souza, esposa de Thiago Ávila, expressou preocupação, afirmando que a manutenção da prisão de seu marido se baseia em "informações sigilosas" às quais nem ele nem sua defesa tiveram acesso, o que, para ela, representa uma "clara violação de direito de defesa".

A Global Sumud, que contava com cerca de 50 embarcações, tinha como finalidade manifestar-se contra o bloqueio israelense ao território palestino, uma região devastada por conflitos e com acesso extremamente limitado a ajuda humanitária. O Ministério das Relações Exteriores de Israel, por sua vez, ligou os dois ativistas à Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), entidade que é alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e que Washington acusa de operar clandestinamente em nome do grupo islamista palestino Hamas.