Em 1745, Mariana se destacava como a verdadeira capital das Minas Gerais, e não Ouro Preto, sendo a única cidade plenamente estabelecida no interior do Brasil. Naquele período, a colônia brasileira contribuía com metade de todo o ouro produzido mundialmente, e grande parte dessa riqueza convergia para Mariana. Reconhecida como a primeira capital de Minas Gerais, a cidade também abrigava o único bispado do sertão, recebendo dádivas reais e acolhendo um órgão Arp Schnitger, exemplar único fora do continente europeu.

A história revela o esplendor de Mariana em seu auge, uma grandiosidade que a narrativa oficial quase negligenciou. Sua elevação a vila ocorreu em 1711, e o status de cidade foi alcançado em 1745, consolidando-a como um centro de poder entre 1711 e 1720, partindo do modesto Arraial do Ribeirão do Carmo, onde o ouro foi descoberto em 1696.

A opulência que emanava de Mariana foi fundamental para a reconstrução de Lisboa. Entre os anos de 1720 e 1785, aproximadamente 650 toneladas de ouro circularam em Portugal, com 557 toneladas destinadas a Lisboa, atuando como um subsídio crucial após o terremoto que devastou a capital portuguesa. A cidade mineira também foi o lar de Dom Frei Manuel da Cruz, o primeiro bispo, que chegou em 1748. Um de seus marcos arquitetônicos inclui a varanda da Sé, atribuída a Manuel Francisco Lisboa, e a presença do renomado órgão Arp Schnitger.

No entanto, a prosperidade de Minas foi construída sobre uma base de trabalho forçado. Em 1738, a região contava com 100 mil pessoas escravizadas. No auge da produção aurífera, entre 1739 e 1741, uma média de 7.360 escravizados era importada anualmente para Minas, ilustrando a intensa dinâmica do tráfico negreiro que sustentou a riqueza colonial. A grandiosidade de Mariana, embora por vezes ofuscada pela história, permanece como um pilar essencial na formação de Minas Gerais e do Brasil.

Vídeo original por Relíquias Perdidas 937.