O termo fictossexualidade tem ganhado destaque no cenario global para descrever uma orientacao em que individuos sentem atracao emocional, romantica ou sexual por personagens ficticios de livros, filmes, series ou jogos. Especialistas explicam que, embora a admiracao por figuras imaginarias seja comum, o fenomeno se caracteriza quando esses sentimentos ocupam um lugar central na vida da pessoa, muitas vezes superando o interesse por interacoes com seres humanos reais.
De acordo com terapeutas especializados em genero, para quem se identifica como fictossexual, esses vinculos nao sao superficiais ou meras fantasias passageiras. As conexoes sao descritas como profundas e genuinamente significativas, oferecendo uma sensacao de constancia e previsibilidade que muitas vezes falta nos relacionamentos convencionais. A ausencia de conflitos reais, a impossibilidade de rejeicao e o controle sobre a narrativa sao apontados como fatores que atraem novos adeptos a essa identidade.
Um dos casos de maior repercussao internacional e o do japones Akihiko Kondo, que realizou uma cerimonia de casamento com a cantora virtual Hatsune Miku. Ele relatou que a relacao oferecia uma estabilidade emocional que ele nao encontrava em pessoas fisicas. No entanto, o caso tambem acendeu debates sobre os limites dessas relacoes, ja que a interacao de Kondo com a personagem foi interrompida apos o desligamento dos servidores da empresa que fornecia o suporte tecnologico para a comunicacao virtual.
Pesquisadores apontam que o crescimento desses relatos reflete as transformacoes nas formas de afeto em uma sociedade cada vez mais mediada por tecnologias digitais e narrativas imersivas. O movimento questiona normas sociais tradicionais sobre casamento e expectativas afetivas, mostrando que o comportamento humano busca novos caminhos para lidar com a solidao e a busca por conexoes seguras em um mundo em constante mudanca.
