Minas Gerais registrou oito assassinatos de pessoas trans e travestis ao longo de 2025, ocupando o topo do ranking nacional de homicídios contra essa população ao lado do estado do Ceará. Os dados foram revelados em um dossiê divulgado nesta semana pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais, evidenciando a persistência da violência extrema no território mineiro. Em Belo Horizonte, casos de grande repercussão, como as mortes de Alice Martins Alves e Christina Maciel Oliveira em espaços públicos, exemplificam o cenário de vulnerabilidade enfrentado por esse grupo.
O relatório aponta que, embora tenha havido uma redução numérica de 33% nos registros em solo mineiro na comparação com o ano anterior, o índice não reflete necessariamente uma melhora na segurança. Especialistas alertam para o fenômeno do silêncio estratégico e subnotificações, onde crimes motivados por preconceito de gênero acabam sendo registrados como ocorrências comuns, sem o reconhecimento da motivação por LGBTIfobia. A maioria das vítimas no país possui entre 18 e 29 anos, o que demonstra que a longevidade ainda é um privilégio negado à maior parte dessa população.
Nesta quinta-feira, 29 de janeiro, data em que se celebra o Dia Nacional da Visibilidade Trans, a capital mineira realiza ações para tentar mudar essa realidade. A Prefeitura de Belo Horizonte promove um mutirão de serviços que inclui apoio para retificação de nome e gênero, orientação jurídica e suporte em saúde. Enquanto isso, o Governo de Minas Gerais afirma manter compromisso com a capacitação de agentes de segurança para o atendimento adequado e a inclusão de campos específicos de identidade de gênero nos registros policiais para garantir maior visibilidade estatística.
