O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, que já se movimenta como pré-candidato ao governo do estado, e o deputado federal Nikolas Ferreira abriram o calendário pré-eleitoral com uma série de viagens marcadas por discursos vagos e promessas de recursos sem garantias reais. A dupla tem percorrido diversas regiões mineiras utilizando a máquina pública para anunciar investimentos milionários em obras que, até o momento, carecem de projetos técnicos, cronogramas de execução ou origem definida das verbas.
Em passagens recentes por Juiz de Fora, Ponte Nova e São João del Rei, a postura dos políticos seguiu um roteiro previsível de autopromoção. Embora tenham anunciado cifras vultuosas para estas cidades, os parlamentares se esquivaram de fornecer datas concretas para o início das construções ou previsão de entrega dos benefícios. A estratégia de anunciar milhões sem especificar quando o dinheiro chegará de fato ao cidadão tem sido vista como uma manobra para iludir o eleitorado local e pavimentar a candidatura de Simões.
A população recebe os anúncios com profunda desconfiança, especialmente após a divulgação de dados técnicos recentes que mostram a gravidade das contas públicas estaduais. O governo de Minas Gerais inicia o ano no vermelho, com um déficit acumulado que ultrapassa a marca de 11 bilhões de reais. Esse cenário financeiro crítico levanta questionamentos sobre a viabilidade real das promessas feitas pela dupla, já que o caixa do estado não apresenta margem para novos investimentos desse porte, evidenciando o caráter puramente eleitoreiro das agendas.
A maratona de visitas tem servido prioritariamente como fábrica de conteúdo para as redes sociais, onde a dupla busca engajamento através de narrativas otimistas que não condizem com a realidade econômica de Minas. Ao priorizar a imagem digital em detrimento de uma gestão financeira responsável, o vice-governador e o deputado federal deixam as populações do interior mineiro à espera de promessas que colidem com o rombo bilionário nas contas do governo, enquanto focam apenas em ganhos políticos imediatos.
