A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita, nesta quarta-feira, para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. O processo de escolha ocorreu em dois turnos e foi consolidado com a vitória de uma chapa única, que recebeu 11 votos favoráveis e registrou 10 votos em branco. A composição do comando do colegiado conta ainda com a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) na primeira vice-presidência, Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) na segunda vice-presidência e Socorro Neri (PP-AC) ocupando a terceira vice-presidência.

A eleição foi marcada por intensos debates e tentativas da ala oposicionista de barrar a posse da parlamentar. O impasse central baseou-se em questionamentos de deputados conservadores sobre a identidade de gênero de Hilton, sob o argumento de que uma mulher trans não compartilharia das mesmas vivências biológicas e sociais de mulheres cisgênero. Durante a sessão, as críticas de opositores foram rebatidas por parlamentares aliadas, que classificaram as falas como transfóbicas e defenderam a legitimidade da eleição baseada no regimento interno da Casa e na representatividade democrática.

Em seu primeiro pronunciamento como presidente do colegiado, Erika Hilton enfatizou que sua gestão será pautada pelo combate à violência patriarcal e misógina, citando a urgência de enfrentar os índices crescentes de feminicídio e estupro no país. A deputada reafirmou o compromisso de manter uma agenda plural, assegurando que as pautas voltadas às mulheres travestis e transexuais também terão espaço nas discussões. Após a proclamação do resultado e os discursos das demais integrantes da chapa, os trabalhos da comissão foram oficialmente iniciados.