A eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados continua a gerar forte repercussão no cenário político nacional. Até esta segunda-feira, 16 de março de 2026, um abaixo-assinado virtual organizado para contestar a escolha da parlamentar já registrava mais de 120 mil adesões. A mobilização, iniciada logo após o pleito realizado na última quarta-feira, defende que o colegiado deve ser liderado por uma mulher que represente a identidade feminina biológica, focando em temas como saúde da gestante e combate à violência doméstica.
Dentro do Parlamento, a resistência é acompanhada de perto por congressistas de Minas Gerais, que manifestaram preocupações sobre a representatividade no colegiado. A deputada federal Greyce Elias (Avante-MG), que é titular da comissão, posicionou-se de forma contrária à eleição, argumentando que o espaço foi conquistado para tratar de problemas específicos das mulheres brasileiras, como o feminicídio, a desigualdade salarial e a proteção à maternidade. Segundo a parlamentar mineira, a crítica não visa a exclusão de pessoas, mas a preservação da finalidade técnica e histórica do órgão.
No mesmo sentido, a deputada Delegada Ione (Avante-MG) questionou a legitimidade da nova presidência para conduzir debates sobre temas como ciclo menstrual e as dificuldades da maternidade no Brasil. Em contrapartida, Erika Hilton, que se tornou a primeira mulher trans a presidir uma comissão na história do Congresso Nacional, afirmou que sua gestão será pautada pelo diálogo e pela defesa de todas as mulheres. A parlamentar eleita destacou que sua prioridade será o combate à epidemia de feminicídio e o fortalecimento de políticas públicas de proteção.
