A Polícia Federal deflagrou uma operação para desmantelar uma sofisticada organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos de âmbito nacional. As investigações, que ganharam força após o Concurso Nacional Unificado realizado em 2024, revelaram um esquema complexo que envolvia o uso de pontos eletrônicos, suborno de vigilantes, cooptação de professores e até a utilização de dublês para a realização das provas no lugar dos candidatos. O grupo atuava em diversas frentes, visando cargos de alta remuneração, como o de auditor fiscal do trabalho, cujos salários ultrapassam os 22 mil reais.
De acordo com o inquérito policial, a rede criminosa possuía tentáculos em instituições organizadoras e contava com a participação de agentes públicos. Entre os métodos utilizados estava o acesso antecipado a gabaritos e temas de redação, além de técnicas para violar envelopes de provas sem romper os lacres de segurança. Os valores cobrados dos candidatos beneficiados variavam conforme a importância do cargo pretendido, podendo atingir a cifra de 500 mil reais por vaga. Em casos onde o candidato não possuía o montante imediato, o grupo aceitava veículos e outros bens como forma de pagamento parcelado.
A investigação também monitora a atuação da quadrilha em Minas Gerais, onde dispositivos eletrônicos e métodos de invasão de sistemas foram identificados em seleções anteriores para órgãos federais e universidades. As autoridades federais cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em diversos estados, focando nos líderes da organização e em servidores que facilitavam a entrada de equipamentos nos locais de exame. Os envolvidos poderão responder por crimes de fraude em certames de interesse público, organização criminosa, corrupção passiva e concussão.
