A Justiça da Itália autorizou, nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. A decisão ocorre após a ex-parlamentar ser condenada em território brasileiro por dois processos distintos que já transitaram em julgado, impossibilitando novos recursos no mérito das causas. Zambelli é apontada como a autora intelectual da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e também foi condenada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, devido a um episódio ocorrido nas vésperas das eleições de 2022.
A defesa da ex-deputada ainda possui uma última possibilidade de recurso junto à Corte de Cassação de Roma, a instância máxima do poder judiciário italiano. Caso a decisão de extradição seja ratificada pelo tribunal, a palavra final caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que detém a prerrogativa política de confirmar ou rejeitar a entrega da brasileira. Se o processo for concluído conforme a autorização judicial atual, Zambelli será transferida diretamente para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
O cenário político nacional monitora atentamente os desdobramentos, incluindo lideranças de Minas Gerais que compõem a bancada federal e estadual. A trajetória de Zambelli rumo à extradição começou em julho de 2025, quando ela foi presa em um apartamento na capital italiana sob a justificativa de grave risco de fuga. O nome da ex-deputada havia sido incluído na difusão vermelha da Interpol por determinação do Supremo Tribunal Federal, após o cumprimento de mandados de prisão preventiva expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes.
Zambelli acumulou penas que, somadas, ultrapassam os 15 anos de reclusão. Pela invasão hacker ao sistema do Judiciário, a pena imposta foi de 10 anos e 8 meses, enquanto o caso da perseguição armada pelas ruas de São Paulo resultou em uma condenação de 5 anos e 3 meses. Antes de sua prisão na Europa, a parlamentar chegou a renunciar ao mandato na Câmara dos Deputados, antecipando-se a um processo de cassação que havia sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal após contestações sobre votações internas no Legislativo.
