Médicos e psicólogos peritos de Minas Gerais manifestaram grave preocupação com a proposta de renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação para condutores sem infrações registradas. Em audiência pública realizada nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados, especialistas argumentaram que a medida elimina uma barreira de proteção essencial que garante a segurança viária em todo o país. A mobilização contou com a presença de profissionais mineiros tanto em Brasília quanto na Assembleia Legislativa em Belo Horizonte, reforçando o coro contra a dispensa de exames de aptidão física e mental para a atualização do documento.

A avaliação pericial é defendida como o único meio capaz de identificar condições de saúde que não são captadas por radares ou multas de trânsito, como o desenvolvimento de cataratas, distúrbios do sono, doenças neurológicas e transtornos mentais graves. De acordo com a psicóloga perita Giuliana Araújo Mezzasalma, ser um bom condutor no papel não garante que o indivíduo mantenha as condições clínicas necessárias para operar um veículo com segurança. O exame periódico serve para monitorar o envelhecimento natural e o surgimento de comorbidades que podem comprometer os reflexos e a cognição do motorista ao longo dos anos.

O movimento é respaldado por um manifesto assinado por mais de 35 entidades médicas brasileiras, sob liderança da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, que ressalta o perigo de motoristas inaptos circularem livremente. O debate segue intenso no Legislativo Federal, enquanto associações de clínicas de trânsito buscam sensibilizar os parlamentares sobre o impacto direto da medida no índice de mortalidade nas estradas. Os próximos desdobramentos dependem da votação na comissão especial, que deve considerar o equilíbrio entre a desburocratização dos serviços públicos e a preservação da vida no trânsito brasileiro.