Sete indivíduos, incluindo um ex-secretário municipal, empresários e um servidor, foram formalmente denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais na última quarta-feira, dia 29. Eles são acusados de participação em um complexo esquema de corrupção, fraudes em contratos e lavagem de dinheiro que teria operado na Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur), em Divinópolis.

Devido ao segredo de Justiça, os nomes dos envolvidos permanecem confidenciais. A decisão sobre o prosseguimento do processo dependerá agora do juiz responsável, que avaliará a aceitação da denúncia. Paralelamente, o Ministério Público requisitou um montante mínimo de R$ 4.101.748,80 para a reparação dos cofres públicos, valor calculado com base nos prejuízos resultantes de medições fraudulentas.

A denúncia foi apresentada à 1ª Vara Criminal da comarca pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da Regional de Divinópolis, em colaboração com a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público. Segundo as investigações, o grupo era composto por um ex-secretário municipal e um servidor público efetivo, apontados como articuladores do esquema e beneficiários de vantagens indevidas. Dois empresários, sócios de empresas contratadas pelo município, também foram denunciados por supostos pagamentos ilícitos em troca de benefícios contratuais. Outros três denunciados, familiares de um dos agentes públicos, são acusados de atuar na ocultação e movimentação dos valores obtidos de forma irregular.

As investigações detalham que, entre os anos de 2022 e 2025, agentes públicos teriam solicitado e recebido propina para assegurar a continuidade de contratos e agilizar pagamentos. Para disfarçar esses valores ilegais, o grupo supostamente adulterava medições de serviços de locação de máquinas, inserindo informações falsas em boletins diários com registros de horas de trabalho não realizadas. Esses documentos eram validados por agentes públicos, culminando em pagamentos indevidos por serviços nunca prestados. A denúncia ainda descreve a prática de lavagem de dinheiro, com a movimentação de aproximadamente R$ 2,5 milhões através de contas bancárias de terceiros, incluindo familiares e uma empresa, visando ocultar a origem criminosa dos recursos.

O ex-secretário municipal é apontado como responsável por cerca de 200 atos de corrupção passiva, envolvendo a negociação de aproximadamente R$ 3,45 milhões em vantagens indevidas. O servidor público, identificado como seu auxiliar direto, responderá por cerca de 30 atos semelhantes. Adicionalmente, o ex-secretário enfrenta denúncia por coação no curso do processo, acusado de ameaçar de morte uma testemunha após sua própria prisão, com o intuito de interferir nas investigações. Atualmente, quatro dos denunciados permanecem sob custódia.

Em resposta, a Prefeitura de Divinópolis manifestou-se por meio de nota, afirmando ter recebido as informações com responsabilidade. A administração municipal reiterou seu não alinhamento com desvios de conduta e destacou que o processo investigativo teve início com uma representação direta do ex-prefeito Gleidson Azevedo, que, ao identificar indícios de irregularidades, acionou o Ministério Público. A nota detalha que medidas administrativas imediatas foram tomadas em relação aos envolvidos e que estão em curso ações para blindar a prefeitura contra episódios futuros, como a modernização da Ouvidoria e Corregedoria, o estabelecimento de novos critérios para contratação de empresas e a implementação de parâmetros mais rigorosos para fiscalização de medições de serviços. A atual prefeita, Janete Aparecida, reafirmou o compromisso de encaminhar todas as denúncias aos órgãos competentes, garantindo a correta aplicação do dinheiro público.