O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), enquanto a Câmara dos Deputados debatia a abertura de um processo de impeachment contra ele. A decisão ocorre em meio a uma crise financeira desencadeada pela intervenção do Banco Central Paraguaio (BCP) no banco digital Ueno Bank. O vice-presidente Pedro Allana assumirá a presidência do país.

Abandonado pelo próprio partido, que passou a cobrar sua saída, Peña justificou a renúncia em nome da estabilidade do país e da necessidade de "preservar nossas instituições". Ele acrescentou que "a história se encarregará de julgar e colocar na sua devida dimensão os acontecimentos que hoje nos cabe vivenciar". Mesmo com a renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o processo de impeachment contra Peña.

Agora, o Senado deve decidir se o processo de destituição continua ou se perde efeito em função da renúncia. A continuidade do processo é importante porque, no Paraguai, todo ex-presidente tem direito ao cargo de senador vitalício, com direito a voz no Parlamento, mas não a voto. A exceção é para os presidentes cassados, que perdem direito ao cargo e ao foro privilegiado.

A crise financeira que sacudiu o Paraguai começou na terça-feira (3) e rapidamente se transformou em uma crise política. Na manhã de hoje, a Câmara iniciou o debate para a abertura de um processo de impeachment que contava com o apoio até mesmo da legenda do próprio mandatário.

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