Tebas: A Rica Trajetória Histórica de Um Distrito de Leopoldina
Tebas, um dos mais antigos distritos de Leopoldina, carrega em sua essência uma história que remonta ao século XIX, com raízes ainda mais profundas na ocupação indígena. Fundado oficialmente como distrito em 1880, este local, que hoje pulsa com atividades agrícolas e artesanais, foi palco de transformações significativas desde seus primórdios, revelando camadas de um passado que ainda intriga pesquisadores e a comunidade local. Sua formação está intrinsecamente ligada à evolução do município de Leopoldina.
A denominação "Tebas" é atribuída a Manoel Joaquim Thebas, proprietário rural que viveu nas proximidades da Fazenda Feijão Cru por volta da década de 1850. A região, inicialmente habitada pelos índios Puris, começou a ser ocupada nas primeiras décadas do século XIX, seguindo o padrão de colonização de Leopoldina. O reconhecimento oficial como distrito veio pela lei provincial nº 2675, datada de 30 de novembro de 1880. Pouco depois, em 25 de outubro de 1881, a lei nº 2848 estabeleceu sua elevação eclesiástica à categoria de Freguesia, e a lei nº 3113, de 1882, oficializou o nome como Santo Antônio de Tebas, alterado de Santo Antônio do Monte Alegre após deliberação da câmara municipal de Leopoldina.
A delimitação de Tebas resultou da anexação de terras pertencentes a áreas vizinhas, como Leopoldina (sede), Piedade (Piacatuba) e Rio Pardo (atual Argirita). A lei nº 2938, de 23 de setembro de 1882, transferiu algumas fazendas de Piedade para o novo distrito, movimento seguido pela perda de propriedades do Rio Pardo para Tebas em 6 de outubro de 1883. Curiosamente, no mesmo mês, a fazenda de João Pereira Valverde foi realocada de Tebas para a freguesia de Piedade, conforme a lei nº 3171. A organização do distrito foi reforçada pela Lei 3113 de 1882, que estabeleceu o Distrito Policial em Tebas, indicando a importância crescente da localidade.
A efervescência de Tebas no passado é evidenciada pela existência da "Folha de Tebas", um jornal que circulou em 1918, abordando desde o cotidiano local e projetos políticos, como a aspiração por "força e luz elétricas", até colunas sociais e anúncios comerciais que retratavam a vida dos tebanos da época. O distrito também possui uma conexão cultural notável, sendo o local de casamento do pai de Noel Rosa, Manuel Garcia de Medeiros Rosa, com Marta, originária do Brejo (antiga denominação da região). Segundo o censo do IBGE de 2000, Tebas contava com 2.007 habitantes. Estrategicamente situado às margens da BR 267, que conecta Leopoldina a Juiz de Fora, o distrito mantém na agricultura, pecuária e na produção artesanal de doces em compotas e barras suas principais atividades econômicas, preservando a essência de sua rica história e tradição.
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