Empresário de Uberlândia é Alvo de Investigação por Desvio de R$ 60 Milhões do Grupo Zema
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga Douglas Silva de Oliveira Azara, com domicílio registrado em Uberlândia, pela acusação de liderar um elaborado esquema de ataque cibernético. A apuração aponta para o desvio de aproximadamente R$ 60 milhões da Zema Financeira, instituição que integra o Grupo Zema, conhecido por sua ligação com a família do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Embora seus documentos oficiais indiquem Uberlândia como seu principal endereço, Douglas Azara também possui uma residência citada no Distrito Federal, e o caso é objeto de profunda investigação pelas autoridades.
A investigação detalha que, entre os meses de novembro e dezembro de 2025, o grupo criminoso supostamente invadiu os sistemas da Zema Financeira, resultando no desvio de um valor total aproximado de R$ 75 milhões. Desse montante, a Polícia Civil afirma que cerca de R$ 60 milhões foram canalizados para o esquema que teria Douglas Azara à frente, sendo que uma parte considerável desses recursos teria transitado pela Jabuti Capital, empresa na qual ele figura como sócio. O modus operandi descrito pelas autoridades inclui a utilização de credenciais de acesso vinculadas a uma empresa de tecnologia contratada pela Zema Financeira para efetuar pagamentos de boletos fraudulentos e realizar transferências via Pix para empresas de fachada e contas usadas para a ocultação da origem ilícita dos valores.
Com base nas evidências coletadas, a Justiça de Minas Gerais decretou, em 1º de julho, a prisão preventiva de Douglas Silva de Oliveira Azara e de outros quatro indivíduos envolvidos. No entanto, o empresário teria deixado o Brasil antes da execução da ordem judicial e atualmente se encontra em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde seu mandado de prisão permanece em vigor. A Polícia Civil também aponta que o endereço de IP utilizado durante o ataque cibernético foi rastreado até a residência de Douglas, em Anápolis (GO), o que reforça o conjunto de provas. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados até o limite de R$ 75 milhões, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis localizados em Uberlândia, Belo Horizonte, Anápolis (GO) e Rio Verde (GO), visando recuperar os recursos desviados e identificar outros possíveis participantes do esquema.
Em manifestação sobre o caso, Douglas Silva de Oliveira Azara negou qualquer envolvimento nas acusações, alegando que sua plataforma bancária foi indevidamente utilizada por terceiros e que sua ausência de participação está sendo provada na Justiça. Por sua vez, a Zema Financeira informou que tem acompanhado as investigações desde o final de 2025 e colabora plenamente com as autoridades para a completa elucidação dos fatos e a responsabilização dos culpados. Douglas Azara ganhou notoriedade nacional em maio deste ano, quando figurou como o comprador da fintech Naskar Gestão de Ativos, uma empresa investigada por um prejuízo estimado em R$ 1 bilhão, que afetou aproximadamente 3 mil investidores. Na ocasião, ele se apresentou como proprietário da Azara Capital LLC, que declarava sede em Miami, nos Estados Unidos, e anunciou a aquisição da Naskar por cerca de R$ 1,2 bilhão.
Apesar de sua idade relativamente jovem, Douglas consta como administrador ou sócio em, no mínimo, 12 empresas abertas entre 2024 e 2026, abrangendo setores como serviços financeiros, agronegócio, logística, armazenagem, transporte e postos de combustíveis, e cujos capitais sociais declarados somam mais de R$ 2,4 bilhões. Contudo, reportagens investigativas já destacaram uma discrepância significativa entre a vastidão de seu patrimônio empresarial e a renda mensal declarada de aproximadamente R$ 1,7 mil, valor que se mostra incompatível com a estrutura das empresas registradas em seu nome. Adicionalmente, a Azara Capital tem sido questionada por não figurar nos principais registros regulatórios do mercado financeiro norte-americano, como a SEC e a FINRA. A Azara Instituição de Pagamento Ltda., o braço brasileiro da operação, foi estabelecida poucos meses antes do anúncio da compra da Naskar e não possui autorização do Banco Central para operar como instituição financeira.
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