A família de Manoel Cardoso de Brito, idoso de 68 anos que faleceu após procedimentos cirúrgicos no Hospital Municipal de João Pinheiro, denunciou que a unidade de saúde se recusou a fornecer os laudos das tomografias realizadas durante a internação. O filho da vítima buscou os documentos após receber informações de que uma pinça cirúrgica teria sido esquecida dentro do corpo de seu pai durante a primeira cirurgia, fato que teria motivado uma segunda intervenção de emergência sem o devido esclarecimento aos familiares.
Manoel foi internado no início de dezembro para tratar uma úlcera gástrica e passou por uma cirurgia inicial considerada bem-sucedida pela equipe médica. No entanto, o quadro do paciente apresentou piora com dores intensas e dificuldade de alimentação. Segundo o relato do filho, o hospital realizou uma nova tomografia no dia 11 de dezembro e encaminhou o idoso imediatamente para o centro cirúrgico. Somente após essa segunda operação é que a família foi informada sobre a necessidade de retirada de um corpo estranho, termo que os parentes relacionam ao instrumento cirúrgico esquecido.
A Secretaria Municipal de Saúde de João Pinheiro confirmou publicamente que houve a retirada de um corpo estranho na cavidade abdominal do paciente durante a reabordagem cirúrgica. Apesar da confirmação do incidente, a administração municipal alegou que o estado de saúde de Manoel já era grave devido a comorbidades e idade avançada. Uma sindicância foi aberta para apurar as falhas nos protocolos de segurança e o caso foi notificado à Anvisa para apuração rigorosa dos fatos que levaram ao óbito na véspera de Natal.
