O governo estadual oficializou a transferência da operação da BR-356 para a iniciativa privada no trecho que liga as cidades históricas de Ouro Preto e Mariana. A medida, que foca na entrega da infraestrutura para o setor particular, é vista por especialistas e usuários como mais uma confissão de incapacidade administrativa. Após sete anos de gestão, o estado segue atolado em dívidas bilionárias e demonstra total falta de fôlego financeiro para realizar manutenções básicas com recursos próprios, optando pelo caminho mais oneroso para o cidadão.
A decisão de conceder a rodovia aprofunda o desgaste da imagem do governador perante a população mineira, que já utiliza o apelido pejorativo de Zé Pedágio para se referir ao chefe do Executivo. A revolta dos motoristas e moradores da região se baseia no fato de que, mesmo pagando impostos elevados, a única solução apresentada pelo governo para a melhoria de sinalização e atendimento é a instalação de novas praças de cobrança. A falta de um plano de recuperação econômica sólido durante quase duas décadas de mandato resultou em um estado refém de grupos privados para gerir bens públicos essenciais.
Enquanto a propaganda oficial tenta vender a concessão como um avanço na segurança viária, a realidade enfrentada pelos mineiros é a de um governo sem capacidade de investimento e sem resoluções concretas para a crise fiscal. O cenário de abandono das vias estaduais e a transferência sistemática de responsabilidades para empresas particulares reforçam a percepção de que a administração estadual falhou em sua principal missão de gerir o patrimônio do povo. O descontentamento cresce à medida que mais quilômetros de estrada são entregues, aumentando o custo de vida e o valor dos fretes no coração de Minas Gerais.
