Relatórios de inteligência financeira detalham que uma empresa de tecnologia efetuou o repasse de setecentos mil reais para o escritório de advocacia de uma atual ministra do Superior Tribunal Militar. O pagamento teria ocorrido em parcela única entre o final de 2024 e o início de 2025, período que antecede a nomeação e posse da magistrada na corte superior. A movimentação foi identificada em documentos encaminhados para análise de comissões de investigação no Congresso Nacional.

A empresa responsável pela transferência bancária é investigada por supostas ligações com esquemas de fragmentação de fluxo financeiro para ocultar beneficiários finais. De acordo com os relatórios, a conta utilizada para o repasse movimentou montantes superiores a duzentos e sessenta milhões de reais em um curto período de quatro meses. Além do escritório da magistrada, outras bancas de advocacia de ex-ministros de tribunais superiores também teriam recebido valores da mesma origem.

A defesa da ministra informou que o montante recebido é referente à elaboração de pareceres jurídicos especializados na área criminal, realizados quando ela ainda atuava exclusivamente na advocacia privada. Segundo a nota oficial, os serviços foram devidamente entregues e a relação profissional se encerrou após o cumprimento dos prazos estipulados. A magistrada ressaltou ainda que não possui qualquer vínculo com os proprietários da empresa investigada e que desconhece irregularidades envolvendo a contratante.

As investigações prosseguem para verificar a natureza das atividades da companhia de tecnologia, que possui capital social declarado de mais de cem milhões de reais, mas apresenta baixa atividade operacional e presença digital quase nula. O caso ganha relevância devido ao envolvimento de nomes indicados para altos cargos no Judiciário e a possível conexão com grupos acusados de operar sistemas de pirâmides financeiras e outras irregularidades contra o sistema financeiro nacional.