A pavimentação da rodovia MG 425, no trecho que liga Vargem Alegre ao distrito de Revés do Belém, em Bom Jesus do Galho, voltou ao centro das discussões após novas promessas de liberação de recursos em pleno ano eleitoral. O projeto, que contempla um trecho estratégico para a conexão com o Vale do Aço, é uma demanda antiga das comunidades locais que sofrem há décadas com a precariedade da via. Apesar do anúncio de um investimento superior a 30 milhões de reais, a notícia foi recebida com desconfiança por moradores que já testemunharam promessas semelhantes em períodos políticos anteriores sem que as obras saíssem do papel.

O recente encontro entre lideranças municipais e representantes federais para anunciar o protocolo do projeto no Ministério da Agricultura é visto por críticos como um movimento calculado para o calendário eleitoral de 2026. A gestão da verba, que ficaria sob responsabilidade de um consórcio intermunicipal, levanta dúvidas sobre a agilidade e a transparência na aplicação dos recursos, dado o histórico de interrupções em obras públicas na região. Moradores de Entre Folhas e Vargem Alegre relatam que o discurso de "desenvolvimento econômico" e "integração regional" já se tornou repetitivo, enquanto a realidade das estradas permanece marcada por poeira e lama.

A descrença da população é alimentada pela falta de um cronograma claro e pelo receio de que, após o pleito, o projeto seja novamente engavetado por entraves burocráticos ou falta de dotação orçamentária real. Embora as autoridades afirmem que a obra é uma prioridade para facilitar o escoamento agrícola e o transporte escolar, a falta de máquinas na pista mantém o sentimento de abandono. Para quem depende da MG 425 diariamente, o asfalto entre Revés do Belém e Vargem Alegre continua sendo uma miragem política que surge e desaparece conforme o ciclo das urnas.