O advogado José de Oliveira Lima, que representa o banqueiro Daniel Vorcaro, natural de Belo Horizonte, tem buscado os investigadores do caso Master para firmar um acordo de delação premiada. De acordo com o defensor, seu cliente pretende realizar uma colaboração séria e abrangente, sem poupar nenhum dos envolvidos no esquema financeiro. A sinalização é vista como uma tentativa de aumentar as chances de negociação, uma vez que investigadores demonstravam ceticismo diante de possíveis pressões de políticos para uma delação seletiva que preservasse nomes influentes.

Espera-se que o acordo de colaboração seja firmado por Vorcaro junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, sob a supervisão direta do ministro relator André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Existe ainda a possibilidade de uma delação conjunta envolvendo o dono da gestora de recursos Reag, João Carlos Mansur, que também é representado pelo mesmo escritório de advocacia. O avanço das conversas depende da consistência das provas apresentadas para detalhar a rede de corrupção e lavagem de dinheiro investigada pelas autoridades.

Vorcaro está preso sob a acusação de liderar um esquema de fraude financeira ligado ao Banco Master, que envolvia a criação de títulos de crédito sem lastro para inflar o patrimônio da instituição. Segundo as investigações, o banco oferecia rendimentos até 40 por cento superiores aos de mercado para atrair investidores, ocultando fragilidades financeiras por meio de ativos inexistentes. O esquema começou a ruir após o Banco Central identificar inconsistências graves nos balanços e determinar a liquidação extrajudicial da instituição financeira.